Supermercado Nova Era. Foto: divulgação

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira, 20, três operações nos estados do Roraima, Amazonas e Tocantins, que investigam uma organização criminosa de contrabando de ouro ilegal envolvendo empresários, entre eles os donos dos supermercados “Nova Era” e “Big Amigão”. A organização é suspeita de movimentar R$ 5,7 bilhões nos últimos três anos. Brubeyk Nascimento, considerado o principal contrabandista do Brasil pela PF, foi preso suspeito de articular o esquema.

Em Roraima, a operação foi chamada de “Eldorado”, que investiga os supermercados pela venda de produtos em troca de ouro ilegal extraído de terras indígenas na Venezuela, país que faz fronteira com o estado. No Amazonas, a operação é “Emboabas”, focada no “esquentamento” do ouro, que é a falsificação de documentos para a comercialização do produto. Em Tocantins, a operação foi batizada de “Lupi”, que ocorria pela extração e comercialização ilegal do ouro. Em todos os casos, os criminosos também atuavam na venda de ouro para outros países (exportação).

Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, 48 mandados de busca e apreensão nas cidades de Boa Vista (RR), Pacaraima (RR), Normandia (RR), Manaus (AM), Anápolis (GO), Campo Lindo de Goiás (GO), Tucumã (PA), Santa Maria das Barreiras (PA), Ourilândia do Norte (PA), Ilha Solteira (SP), Uberlândia (MG) e Areia Branca (RN), além de outras medidas cautelares.

Durante o inquérito policial, a Polícia Federal identificou a possível existência de grupo criminoso, cujo modo de agir passa pelas seguintes atividades ilegais: extração do minério em áreas proibidas, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e subsequentes transporte, comercialização e exportação do ouro ilegal

A Operação Emboabas, realizada no Amazonas, identificou indícios de contrabando de ouro para Europa após a prisão em flagrante de pessoa que transportava 35 quilos de ouro e pretendia entregar a dois norte-americanos, sócios de uma empresa em Nova Iorque, nos Estados Unidos.

A investigação revelou que a organização criminosa adquire ouro de terras indígenas e leitos de rios com uso de dragas e, por meio de fraude, declara que o ouro foi extraído em permissões de lavra garimpeira (PLG) regularmente constituídas.

Também foi identificado que o alvo principal realiza o esquentamento do ouro por meio de um austríaco que se naturalizou brasileiro e afirma ter mais de mais R$ 20 bilhões em barras de ouro em um suposto país independente criado pelo próprio investigado.

Os investigados responderão pelos crimes de usurpação de bens da União, organização criminosa, lavagem de dinheiro, extração ilegal do ouro, contrabando, falsidade ideológica, receptação qualificada e outros tipos penais.

‘Nova Era’

A operação teve ainda como alvo supermercados com sede em Manaus (AM) e em Boa Vista (RR), suspeitos de transportar ouro ilegal extraído de terra indígena em caminhões de exportação de alimentos. O transporte ilegal era feito por via terrestre para a Venezuela, onde os produtos eram pagos com o ouro da Terra Yanomami.

Procurada, a rede de supermercados Nova Era confirmou que agentes da PF estiveram no prédio administrativo da empresa. O Supermercado Nova Era encaminhou nota à imprensa confirmando ser um dos alvos da operação e afirmou que vai colaborar com as investigações.

O Mercantil Nova Era, por meio desta nota, informa que na manhã desta quarta-feira, 20, recebeu em seu prédio administrativo a visita de agentes da Polícia Federal (PF) com a finalidade de coletar informações relacionadas a vendas de exportações. Toda equipe do MNE foi instruída de maneira a colaborar com a investigação da PF, fornecendo todos os documentos solicitados e acessos necessários“, escreveu.

Simultâneas

Além da operação deflagrada no Amazonas, a “Emboabas”, a Polícia Federal também deflagrou, simultaneamente, a “Operação Eldorado” e “Operação Lupi“, nos Estados de Roraima e Tocantins, respectivamente, para combater o contrabando de ouro ilegal.

Na Eldorado, a PF prendeu suspeitos de liderarem um esquema de contrabando e venda de ouro extraído de garimpos ilegais que teria movimentado quase R$ 6 bilhões. São cumpridos dois mandados de prisão preventiva e 40 de busca e apreensão, em Roraima, Amazonas, Goiás e Distrito Federal.

O esquema, segundo a PF, envolve o contrabando de ouro venezuelano, o qual entraria clandestinamente no Brasil como pagamento pela exportação de alimentos por mercados de Roraima e do Amazonas.

No Tocantins, a Operação Lupi é decorrente das investigações realizadas na “Operação Kukuanaland” e na “Operação Bullion”, deflagradas em fevereiro e maio deste ano pela Polícia Federal. Nesta etapa, cinco mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva são cumpridos por policiais federais em Anápolis, em Goiás, e Manaus, no Amazonas.

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