Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, durante pronunciamento à imprensa. Foto: Prensa Presidencial

Com Delcy Rodríguez há quase duas semanas como presidente em exercício e os Estados Unidos ampliando a influência sobre a cadeia petrolífera da Venezuela, o país passou a concentrar o debate em dois eixos: a libertação de presos políticos e a abertura a investimentos estrangeiros.

Os temas integram o que o secretário de Estado americano, Marco Rubio, chamou de “segunda fase” do plano dos EUA para a Venezuela após a captura de Nicolás Maduro. Batizada de “recuperação”, a etapa prevê anistias, soltura de presos por motivação política e facilitação do acesso de empresas estrangeiras ao setor de petróleo. Antes, haveria uma fase de “estabilização”; depois, a de “transição”, com eleições presidenciais.

Na quinta-feira (15), Delcy anunciou que enviará à Assembleia Nacional um projeto para reformar a Lei de Hidrocarbonetos, reforçada no período de Hugo Chávez. A proposta busca incorporar dispositivos da Lei Antibloqueio (2020), que flexibilizou a participação do Estado em contratos com petrolíferas privadas para contornar sanções. O movimento atende a demandas de empresas que, pressionadas pelo presidente Donald Trump, exigem garantias contra perdas como as da nacionalização do setor.

Enquanto isso, a principal líder da oposição, María Corina Machado, reuniu-se com Trump em Washington — o primeiro encontro desde a captura de Maduro. Corina afirmou que mais de 90% dos venezuelanos querem democracia e liberdade e disse ter recebido de Trump compromisso com a libertação de presos políticos.

O governo interino afirma que as solturas continuam. Até quarta (14), Delcy disse que 406 pessoas seriam libertadas; a ONG Foro Penal contabilizava 806 presos políticos no início de janeiro. “É um novo momento político, com respeito aos Direitos Humanos”, declarou a presidente em exercício.

Especialistas avaliam que a transição ocorre sob liderança chavista por razões de segurança e governabilidade. Para analistas, a estratégia também atende a interesses eleitorais de Trump nos EUA, ao reforçar a presença americana na região em ano de disputa legislativa.

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