A Embrapa, em parceria com instituições federais, universidades e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), tem avançado na implementação de tecnologias voltadas à segurança alimentar dos povos da Terra Indígena Yanomami, em Roraima e no Amazonas. A iniciativa integra o plano federal de enfrentamento à insegurança alimentar nas comunidades e prevê investimentos de R$ 2,2 milhões até 2027.
O projeto concentra esforços na introdução e fortalecimento de culturas que fazem parte da base alimentar indígena, como mandioca, banana e abacaxi, por meio de variedades mais produtivas e resistentes a doenças, além da transferência de técnicas de multiplicação de mudas com sanidade genética assegurada. Entre as principais ferramentas está o método de Estiolamento para Produção de Mudas e Miniestacas de Mandioca (EPMM), tecnologia de fácil adoção que amplia significativamente a capacidade de produção agrícola nas comunidades.
A metodologia permite multiplicar mudas em larga escala durante todo o ano, independentemente das condições climáticas, preservando características genéticas e sanitárias essenciais para garantir produtividade e segurança alimentar. A proposta também respeita os sistemas tradicionais de cultivo, incorporando variedades locais e considerando hábitos culturais e ambientais das populações atendidas.
Além da distribuição de materiais genéticos superiores, o projeto inclui a implantação de unidades demonstrativas, viveiros, câmaras de termoterapia e capacitação de lideranças indígenas e agentes locais, ampliando o protagonismo das próprias comunidades no processo produtivo. Em Roraima, estruturas estão sendo instaladas no IFRR, no Instituto Insikiran da UFRR e no Centro Indígena de Formação Raposa Serra do Sol.
A estratégia busca não apenas fornecer mudas e insumos, mas formar agentes indígenas de assistência técnica capazes de replicar conhecimentos, fortalecer práticas sustentáveis e ampliar a independência alimentar das aldeias.
Com foco na valorização das culturas tradicionais e no fortalecimento da soberania alimentar, a iniciativa representa uma resposta estruturante diante dos desafios humanitários enfrentados pelos Yanomami, aliando tecnologia, respeito cultural e desenvolvimento sustentável.










