A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Roraima (FICCO/RR) prendeu Viviano Vithus de Souza, de 26 anos, conhecido como Salomão, suspeito de assassinar e decapitar Marcelo de Oliveira Menezes Filho, de 18 anos, em Caracaraí. Segundo a investigação, o crime ocorreu no último domingo (25) e teria sido ordenado pelo chamado Tribunal do Crime, ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
O suspeito confessou a participação no assassinato durante um depoimento gravado em vídeo nas dependências da delegacia. As informações constam na Informação de Polícia Judiciária nº 186/2026, elaborada pela FICCO em 29 de outubro, à qual a reportagem teve acesso.
Conforme o documento, Viviano relatou que passou várias horas em uma residência com a vítima antes de iniciar as agressões. Ele afirmou ter aplicado um golpe conhecido como mata-leão, fazendo Marcelo perder a consciência.
Inicialmente, o grupo pretendia transportar o jovem para outro local, onde a execução seria concluída. A vítima chegou a ser amarrada enquanto os envolvidos aguardavam um veículo. Como o transporte não foi conseguido, o suspeito afirmou que decidiu, juntamente com outras lideranças da facção, executar Marcelo na própria residência.
Ainda segundo o relato, Viviano utilizou um pedaço de madeira para atingir a cabeça da vítima diversas vezes. Em seguida, teria usado uma faca para decapitá-la.
Execução teria sido acompanhada por chamada de vídeo
Um dos pontos apresentados no relatório é que integrantes do PCC teriam acompanhado a execução por meio de uma chamada de vídeo. Segundo a versão do investigado, a ligação foi iniciada por Adriano Carneiro de Souza, conhecido como Coala, apontado no depoimento como um dos envolvidos na comunicação com outros integrantes da organização criminosa.
Viviano afirmou que, após decapitar Marcelo, exibiu a cabeça da vítima aos participantes da chamada. O relatório também menciona a possível participação de um adolescente de 17 anos, que teria auxiliado na preparação do corpo para ser retirado da residência. Conforme as declarações, diante da dificuldade de conseguir um veículo, o suspeito pediu que o adolescente comprasse gasolina, com a intenção de incendiar o corpo.
As informações foram registradas a partir das declarações de Viviano. A própria FICCO ressalta que o conteúdo deverá ser analisado em conjunto com outros elementos e provas obtidos durante a investigação.
Prisão e buscas
Viviano foi preso em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pelo Núcleo de Plantão Judicial e Audiências de Custódia do Tribunal de Justiça de Roraima (TJRR), no processo nº 0848728-85.2026.8.23.0010.
O relatório também registra diligências relacionadas a Hyan Nicollas Souza Dantas, conhecido como Brisola, alvo de mandado de busca e apreensão.
Durante a operação, os policiais apreenderam três munições de calibre .38, uma balança de precisão e um aparelho celular. As equipes também fotografaram pichações em um muro de Caracaraí com o apelido Salomão, as iniciais PCC e o número 1533, utilizados como referência à facção criminosa.
Investigação aponta outros possíveis envolvidos
A documentação judicial anexada ao relatório menciona, além de Viviano, outros investigados que podem ter participado do crime. A decisão registra pedidos de medidas cautelares relacionados a Adriano Carneiro de Souza e Hyan Nicollas Souza Dantas, além da apuração da possível participação do adolescente.
O documento também informa que Viviano possui registros policiais anteriores relacionados a suspeitas de violência doméstica, crimes sexuais e outras ocorrências. Esses registros não representam, por si só, condenações judiciais.
Marcelo foi encontrado morto em Caracaraí, com o corpo amarrado e decapitado. As circunstâncias do assassinato e a participação de cada investigado continuam sendo apuradas. A documentação analisada não apresenta a motivação específica que teria levado o chamado Tribunal do Crime a determinar a morte do jovem.










