A seca se intensificou em Roraima e 11 dos 15 municípios do estado foram classificados em situação de seca severa em setembro. O número quase quadruplicou em relação a agosto, quando três cidades estavam nessa condição, segundo dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Estão em seca severa Alto Alegre, Amajari, Bonfim, Cantá, Caracaraí, Caroebe, Iracema, Mucajaí, Rorainópolis, São João da Baliza e São Luiz. Boa Vista, Pacaraima, Normandia e Uiramutã permaneceram em seca moderada.
O levantamento considera o Índice Integrado de Seca, o IIS3, que reúne informações sobre chuva, umidade do solo e condições da vegetação. Segundo o Cemaden, a seca vem se intensificando progressivamente em Roraima desde julho.
Em agosto, todos os municípios do estado já apresentavam algum grau de seca. No mês seguinte, houve avanço da intensidade em boa parte do território, com aumento do número de cidades enquadradas na categoria severa.
O agravamento ocorre em meio ao fortalecimento do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e que interfere na distribuição das chuvas em diferentes regiões do país.
As projeções climáticas indicam continuidade de condições desfavoráveis para a Região Norte nos próximos meses. O monitoramento federal aponta possibilidade de chuva abaixo da média em parte do Norte e temperaturas acima do normal, enquanto o El Niño deve permanecer ativo nos próximos meses.
A seca também aparece no monitoramento de áreas indígenas. Em setembro, 26 dos 57 polos base indígenas classificados em seca moderada no país estavam no Distrito Sanitário Especial Indígena Leste de Roraima.
O problema também atinge unidades de conservação. Roraima aparece entre os estados com áreas protegidas submetidas a condições de seca severa ou mais intensa.
No país, o número de municípios classificados em seca severa ou extrema passou de 157 em agosto para 276 em setembro, aumento de 75,8%. Na Região Norte, Roraima aparece entre os principais destaques do agravamento.
Segundo o Cemaden, a maior parte dos municípios brasileiros que chegaram às classificações de seca severa ou extrema em setembro já apresentava algum nível de seca desde julho, o que aponta para um déficit acumulado de chuva ao longo de vários meses.










