Um projeto que desenvolve materiais terapêuticos acessíveis para adolescentes neurodivergentes conquistou o primeiro lugar no 14º Encontro Científico do Programa Bolsa de Inovação Tecnológica de Roraima. A iniciativa integra um conjunto de pesquisas da Universidade Federal de Roraima (UFRR) que ganhou destaque dentro e fora do país.
Chamado TEIA.A, Tecnologias para o Engajamento, Inclusão e Aprendizagem Acessível, o projeto foi desenvolvido pela acadêmica Vitória Gabriele Moreira Caldas, sob orientação da professora Denise Andrade do Nascimento, do curso de Licenciatura em Física. O trabalho conta com parceria da Clínica Colorê.
A equipe produz dispositivos terapêuticos e educacionais de baixo custo por meio de impressão 3D. Entre os recursos estão cubos infinitos, mascotes articulados e materiais voltados ao desenvolvimento da atenção, coordenação motora, comunicação e regulação sensorial.
O projeto está na fase de aperfeiçoamento e validação. Os pesquisadores pretendem ampliar os testes, criar novos materiais e elaborar protocolos para medir os efeitos dos recursos no atendimento a adolescentes neurodivergentes.
“Mais do que um prêmio, esse resultado mostra que inovação e inclusão podem caminhar juntas”, afirmou Denise.
A iniciativa também recebeu apoio do Laboratório de Instrumentação e Ensino de Física da UFRR. O espaço desenvolve pesquisas com impressão 3D, robótica educacional, Arduino, fabricação digital e tecnologias assistivas.
Pesquisa sobre misoginia digital
Outra pesquisa da universidade ganhou espaço em um debate acadêmico internacional. A doutoranda Alessandra Lima Medeiros participou de um webinar promovido pela Geneva Global Health Hub, associação sediada na Suíça.
O evento discutiu direitos das mulheres, misoginia, patriarcado e discursos difundidos em ambientes digitais. Alessandra participou como representante do Sul Global e apresentou uma perspectiva baseada na realidade amazônica e brasileira.
A pesquisadora estuda as relações entre misoginia digital, socialização de jovens, plataformas digitais e ambiente escolar. O trabalho é desenvolvido no Doutorado em Educação na Amazônia, sob orientação do professor Vilso Santi.
Durante o mestrado em Sociedade e Fronteiras, Alessandra analisou os efeitos de discursos conservadores e propostas legislativas contrárias ao debate de gênero na educação, nos direitos humanos e nas políticas públicas de Roraima.
Segundo a pesquisadora, esses movimentos fazem parte de uma articulação política que utiliza argumentos morais para limitar discussões públicas, principalmente dentro das escolas.
Monitoramento ambiental há 15 anos
A UFRR também coordena um programa de monitoramento dos ecossistemas amazônicos que atua em Roraima há cerca de 15 anos. O PELD FORR reúne pesquisadores que acompanham mudanças na biodiversidade, no ciclo de carbono e na produtividade de espécies nativas.
As atividades ocorrem no Parque Nacional do Viruá, em Caracaraí, na Estação Ecológica de Maracá, no Amajari, e em áreas de castanhais localizadas em Caracaraí e São João da Baliza.
O trabalho analisa os impactos de eventos climáticos extremos e incêndios florestais sobre áreas de campinarana e florestas estacionais. Os dados podem ajudar na formulação de políticas de conservação, no manejo do fogo e na proteção das atividades extrativistas.
Um dos estudos identificou uma queda acentuada na produção de castanhas entre 2024 e 2025, atribuída aos efeitos do fenômeno El Niño. Outra pesquisa avaliou a reação da vegetação de campinarana ao fogo e produziu informações para orientar queimas preventivas e reduzir o risco de grandes incêndios.
Coordenado pelo professor Marcos José Salgado Vital, o programa também utiliza entrevistas com moradores, sensores ambientais e monitoramento de lençóis freáticos.
O PELD FORR integra uma rede nacional formada por 55 áreas de pesquisa e aproximadamente 2.500 pesquisadores. Em Roraima, o projeto mantém parcerias com instituições como Inpa, USP, UnB, UFPR, Embrapa e ICMBio.










