Políticos de Roraima se manifestam após resultado das eleições presidenciais
Foto: Redes sociais/reprodução

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República provocou manifestações de políticos de Roraima nas redes sociais na noite de domingo (25) e nesta segunda-feira (26). Enquanto alguns parabenizaram e reconheceram a vitória, representantes da oposição expressaram insatisfação com o resultado e questionaram a decisão que prorrogou o horário de votação até as 19h, no horário de Brasília. 

Lula foi reeleito com cerca de 64,2 milhões de votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos, contra aproximadamente 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro (PL), que obteve 48,21%. A diferença foi de cerca de 4,4 milhões de votos.

Entre as manifestações estão as dos deputado federais reeleito Stélio Dener e Zé Haroldo Cathedral (ambos do União Brasil), do deputado federal Pastor Diniz (União Brasil), do deputado federal eleito Rodrigo Mesquita (Podemos), do senador eleito Nicoletti (PL), do senador Dr. Hiran (Progressistas), do vereador de Boa Vista Thiago Fogaça (MDB) e do Partido dos Trabalhadores (PT) em Roraima. O PL em Roraima não havia se pronunciado até o fechamento desta reportagem.

Oposição questiona resultado e prorrogação

O deputado federal Pastor Diniz publicou um vídeo na noite de domingo no qual demonstrou tristeza com a vitória de Lula e afirmou não compreender o resultado nacional. Ele também destacou o desempenho de Flávio Bolsonaro em Roraima, onde, segundo ele, o candidato recebeu cerca de 70% dos votos.

“Fico muito triste e decepcionado. Sinto muito orgulho do nosso estado de Roraima, mais uma vez, 70% dos votos para o nosso presidente Flávio Bolsonaro. Um estado totalmente de direita”, declarou.

Diniz também questionou a ampliação do horário de votação. “Não entendo também o fato de ser prorrogado o horário de votação. Eu nunca vi isso”, afirmou.

O deputado federal eleito Rodrigo Mesquita também criticou a reeleição de Lula. Em vídeo publicado na noite de domingo, ele questionou o fato de candidatos de direita terem conquistado espaço no Congresso Nacional enquanto a Presidência ficou com um candidato de esquerda.

“A conta não fecha. E eu quero aqui deixar o meu registro, porque foram quatro anos de luta contra esse governo”, afirmou.

Mesquita classificou o resultado como “vergonhoso” e declarou repúdio à reeleição do presidente. Durante a gravação, fez críticas ao governo federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de questionar a legitimidade política do resultado.

O senador eleito Nicoletti, do PL, também pediu a anulação do segundo turno. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira (26), ele questionou a decisão atribuída ao ministro Cristiano Zanin, do STF, que ampliou o horário de votação para as seções que ainda estavam abertas.

“Como a eleição pode mudar de regra depois que a votação já tinha terminado às 17h01, um minuto depois do horário previsto para fechamento das urnas?”, questionou.

Nicoletti afirmou que a decisão teria criado situações diferentes para eleitores em locais distintos e defendeu que o processo fosse anulado. “O Brasil hoje exige a anulação do segundo turno das eleições e não reconhece Lula como presidente”, declarou.

Deputados defendem respeito ao resultado

Entre os políticos que se manifestaram após a confirmação da vitória de Lula, o deputado federal reeleito Stélio Dener adotou um tom de reconhecimento do resultado e defendeu diálogo com o governo federal.

“Parabenizo o presidente Lula (PT) pela reeleição e desejo sabedoria e sucesso nos próximos quatro anos à frente do Brasil”, escreveu.

Dener afirmou que Roraima precisa receber atenção especial do governo federal e citou o potencial do estado na produção agrícola, na mineração e no comércio com países vizinhos.

“Nosso estado tem enorme potencial na produção agrícola, na mineração e no comércio com os países vizinhos, e necessita de investimentos que transformem essas oportunidades em emprego, renda e qualidade de vida”, publicou.

O deputado federal reeleito Zé Haroldo Cathedral também reconheceu o resultado, embora tenha afirmado que a vitória de Lula não correspondeu à sua preferência política.

“Essa não foi a minha escolha e nem a vontade da grande maioria do povo de Roraima, mas foi a escolha do Brasil, e a democracia se faz respeitando o resultado das urnas”, declarou.

O senador Dr. Hiran também emitiu uma manifestação reconhecendo a derrota do grupo político e agradeceu às pessoas que participaram da campanha.

“Não foi o resultado que desejávamos. Dói, porque colocamos nessa caminhada nossa esperança, nossa crença e nosso amor pelo Brasil”, diz o texto. “Mas Roraima fez sua parte e mostrou a força dos nossos valores. Temos orgulho do nosso povo!”, diz outro trecho.

O vereador de Boa Vista Thiago Fogaça, do MDB, também destacou a votação de Flávio Bolsonaro no estado e defendeu o respeito à democracia.

“Infelizmente, não conseguimos alcançar o resultado que desejávamos, mas a democracia precisa ser respeitada e a vontade do povo reconhecida”, afirmou.

PT comemora reeleição

O Partido dos Trabalhadores em Roraima comemorou a vitória de Lula em uma publicação nas redes sociais. A mensagem classificou o resultado como uma conquista coletiva e agradeceu aos apoiadores que participaram da campanha.

“Hoje, o coração transborda de alegria e gratidão! A reeleição do presidente Lula é a prova de que, quando o povo se une, a esperança se transforma em força e a luta coletiva faz a diferença”, diz a publicação.

O partido também afirmou que pretende continuar mobilizado em defesa de um país “mais justo, digno e cheio de oportunidades para todos e todas”.

Entenda a prorrogação do horário de votação

A decisão de ampliar o horário de votação foi tomada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pouco depois das 17h de domingo, horário de Brasília. A medida determinou a extensão até às 19h em todo o país, mas se aplicava apenas às seções eleitorais cujas urnas ainda não haviam sido fechadas.

Os pedidos de ampliação partiram das campanhas dos dois candidatos. A campanha de Lula alegou dificuldades no transporte público, incluindo redução da frota de ônibus, longas esperas e cobrança indevida de passagens em diferentes localidades. Já a campanha de Flávio Bolsonaro solicitou mais tempo em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina, citando chuvas fortes, enchentes e falta de energia em locais de votação.

A decisão não determinou a reabertura de urnas que já haviam encerrado a votação. Segundo informações divulgadas pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, a programação das urnas impedia a reabertura das seções já finalizadas.

Para preservar a segurança da apuração, o recebimento dos boletins de urna foi temporariamente bloqueado durante a interrupção. Após a retomada da totalização, Nunes Marques confirmou o resultado e afirmou ter segurança no processo eleitoral.

Levantamento com dados do TSE aponta que 35.521 votos foram registrados após as 17h. O número, matematicamente, não poderia interferir no resultado.

TRE-RR diz que seções do estado já estavam fechadas

Em nota, o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) informou que o segundo turno ocorreu dentro da normalidade no estado. Às 18h10 de domingo (25), todas as seções eleitorais de Roraima já haviam encerrado a votação e transmitido os dados das urnas ao TSE.

O tribunal informou que recebeu a comunicação sobre a decisão de Zanin às 17h14. Em seguida, recebeu ofícios do TSE com orientações às 17h16 e às 17h27.

“Assim que recebeu as comunicações, o TRE-RR determinou que todos os juízes eleitorais do estado fossem informados. No entanto, quando as orientações chegaram, todas as seções eleitorais de Roraima já haviam encerrado a votação e transmitido os dados ao TSE”, informou o tribunal.

Segundo o TRE-RR, apenas quatro urnas precisaram ser substituídas durante o dia, sem atrasos ou prejuízo à votação. O tribunal também afirmou que todos os pedidos de credenciamento para transporte de eleitores foram atendidos, com flexibilização de prazos para contemplar comunidades com dificuldades de acesso.

Ao final, o TRE-RR declarou que as providências foram adotadas de acordo com a legislação eleitoral e as decisões dos tribunais superiores, com o objetivo de garantir a transparência e a segurança do processo.

ReportagemRedação

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