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Foto: Ascom MPF

A Terra Indígena Yanomami, localizada entre Roraima e Amazonas, deverá passar por um processo de recuperação ambiental para reverter parte dos danos provocados pelo garimpo ilegal. O plano, elaborado pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Universidade de Brasília (UnB), em parceria com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e comunidades indígenas, prevê a recuperação de 1.057,8 hectares ao longo de dez anos.

Entre 2016 e 2024, o garimpo ilegal destruiu e contaminou 6.366 hectares de florestas e cursos d’água no território. Segundo o levantamento, mais de 15 mil indígenas de 280 comunidades foram afetados direta ou indiretamente pela degradação ambiental.

A região de Waikás, às margens do rio Uraricoera, em Roraima, concentra mais de um terço dos danos identificados. Em toda a terra indígena, aproximadamente 3,5 mil hectares de áreas escavadas pelo garimpo podem necessitar de intervenções diretas para recuperação.

Batizado de A floresta brotando de novo, o plano foi lançado em setembro e desenvolvido entre 2024 e 2026, com estudos socioambientais, visitas às regiões atingidas e oficinas realizadas com a participação de pesquisadores, lideranças e associações Yanomami e Ye’kwana.

Recuperação terá participação direta dos indígenas

A proposta estabelece três frentes de atuação: recuperação ambiental com técnicas de regeneração natural assistida, formação de agentes indígenas e ações espirituais de cura da terra-floresta, conduzidas por pajés conforme as tradições dos povos locais.

Uma das medidas previstas é a formação de 40 agentes ambientais e territoriais indígenas, que serão remunerados para planejar, executar e acompanhar as ações de recuperação nas comunidades.

Segundo a coordenadora de Conservação da Biodiversidade e Recuperação Ambiental da Funai, Nathali Germano, a formação combinará conhecimentos tradicionais indígenas e técnicas científicas de recuperação ambiental.

“Esses agentes, junto com as comunidades, é que vão implementar as soluções que foram pensadas no plano. Eles passam por um processo de formação que vai aliar os conhecimentos tradicionais aos conhecimentos não indígenas”, explicou.

A primeira etapa deverá funcionar como projeto-piloto, com intervenções em quatro hectares durante o primeiro ano de execução. A previsão é ampliar gradualmente os trabalhos até alcançar os 1.057,8 hectares estabelecidos no documento.

Líder Yanomami, Davi Kopenawa. Foto: ascom/Funai

Davi Kopenawa alerta para destruição dos rios

O líder indígena Davi Kopenawa participou do lançamento do plano, na Universidade de Brasília, e destacou a necessidade de ações conjuntas para enfrentar as consequências da atividade garimpeira.

“Nós precisamos; eu, o meu povo, nossa outra geração estamos trabalhando junto com parceiros, mas faltam ainda [ações]. A alma na beira do rio e os igarapés estão destruídos”, afirmou.

Além da destruição da vegetação e da contaminação dos cursos d’água, o levantamento aponta consequências para a alimentação, a saúde, a organização social e as práticas espirituais das comunidades.

O plano busca recuperar parte dessas áreas e fortalecer a participação dos próprios indígenas na proteção e no monitoramento do território.

FonteUNB
ReportagemRedação

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