A confiança do consumidor roraimense em relação aos próximos meses caiu pelo quarto mês consecutivo em julho. O Índice de Intenção de Consumo das Famílias, medido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), recuou 0,5% na comparação com junho e 6,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
O indicador alcançou 107,9 pontos no mês. Apesar da redução, permanece acima dos 100 pontos, faixa que representa predominância de avaliações positivas entre os consumidores.
Os dados, analisados pela Federação do Comércio de Roraima (Fecomércio-RR), mostram uma diferença entre a percepção das famílias sobre o momento atual e as expectativas para os próximos meses. Em julho, os indicadores relacionados ao emprego atual, à renda e ao nível de consumo apresentaram crescimento, indicando uma avaliação mais favorável da situação econômica imediata.
Em sentido contrário, todos os componentes ligados às expectativas futuras registraram queda. O resultado indica que, embora as famílias percebam melhora no presente, demonstram maior cautela diante da possibilidade de fazer compras, contratar crédito ou assumir financiamentos.
Segundo o assessor econômico da Fecomércio/RR, Fábio Martinez, esse contraste explica a redução do índice geral. “O consumidor percebe melhora na sua realidade imediata, principalmente em relação ao emprego, à renda e ao consumo atual. No entanto, quando olha para os próximos meses, predominam as incertezas. Essa perda de confiança acaba influenciando decisões importantes, como contratar crédito, realizar compras de maior valor e ampliar o consumo”, destacou.
Roraima também perdeu uma posição no ranking nacional de intenção de consumo, passando da 13ª para a 14ª colocação. Embora permaneça acima da média brasileira, o estado passou a apresentar o menor índice entre as unidades da Região Norte.
A sequência de quedas não representa necessariamente uma redução imediata das vendas, mas pode afetar as decisões de consumo ao longo do segundo semestre. Entre os possíveis efeitos estão o adiamento de compras, a menor procura por crédito e a resistência das famílias em assumir novos compromissos financeiros.
“A sequência de quedas não significa uma retração imediata do consumo, mas revela uma confiança menor das famílias em relação ao futuro. Quando o consumidor adia compras, evita assumir financiamentos ou demonstra maior cautela com os gastos, esse comportamento tende a repercutir na atividade comercial. Por isso, acompanhar esses indicadores ajuda o empresário a planejar estoques, campanhas promocionais e investimentos com mais segurança”, afirmou Martinez.
Para o presidente do Sistema Fecomércio, Sesc, Senac e IFPD, Ademir dos Santos, o resultado exige atenção dos empresários, principalmente diante das datas comerciais do segundo semestre.
“Os dados mostram que o consumidor roraimense continua comprando, mas está mais cauteloso em relação ao futuro e a compra de bens duráveis. Para o empresário, esse comportamento exige planejamento e atenção ao mercado, principalmente neste período do ano, quando datas importantes costumam impulsionar as vendas. O momento é de acompanhar os indicadores e investir em estratégias que fortaleçam a confiança do consumidor”, afirmou.
O Índice de Intenção de Consumo das Famílias é calculado mensalmente pela CNC. A pesquisa considera fatores como emprego, renda, acesso ao crédito, nível de consumo e perspectivas profissionais e econômicas das famílias.










