Foto: Sepror/AM

Uma nova legislação federal sancionada na semana passada endureceu as regras para concessão do seguro-defeso, benefício pago a pescadores artesanais durante períodos em que a pesca é proibida para preservação das espécies.

A Lei 15.399/26 estabelece novos mecanismos de controle para reduzir fraudes, incluindo identificação biométrica obrigatória, inscrição no Cadastro Único (CadÚnico) e comprovação anual da atividade pesqueira por meio de relatórios de comercialização do pescado.

A norma também autoriza o pagamento de parcelas pendentes de períodos anteriores a 2026, desde que os pedidos tenham sido feitos dentro do prazo legal e atendam aos critérios exigidos.

Entre as mudanças, o governo federal vetou dispositivos que flexibilizavam regras de habilitação, sob justificativa de preservar mecanismos de fiscalização e controle.

Novas exigências

Pelas novas regras, pescadores deverão:

  • apresentar biometria para validação de identidade;
  • estar inscritos e com dados atualizados no CadÚnico;
  • comprovar atividade pesqueira regular entre os períodos de defeso;
  • entregar anualmente o Relatório de Exercício da Atividade Pesqueira (Reap).

O governo também poderá cruzar dados com bases oficiais, como Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Fiscalização mais rígida

A lei prevê punições mais severas para fraudes, incluindo:

  • suspensão da atividade;
  • cancelamento do registro;
  • proibição de acesso ao benefício por até cinco anos, prazo que pode dobrar em caso de reincidência.

Além disso, a lista de beneficiários passará a ser divulgada mensalmente para ampliar a transparência.

Prazo ampliado para regularização

Pescadores terão até 31 de dezembro de 2026 para regularizar relatórios pendentes referentes ao período entre 2021 e 2025.

Limite orçamentário

Para controlar despesas, o programa terá limite anual de gastos com base no orçamento do ano anterior, corrigido pelas regras fiscais. Para 2026, o teto estimado é de R$ 7,9 bilhões.

Apoio à pesca artesanal

Apesar do endurecimento nas regras, a nova legislação também reconhece formalmente comunidades tradicionais pesqueiras e amplia acesso dos pescadores artesanais a crédito rural por meio do Pronaf.

A proposta teve origem em medida provisória aprovada pelo Congresso e busca equilibrar assistência social, controle fiscal e preservação da pesca artesanal no país.

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