Comunidade Fuduuwaaduinha, em Awaris, na TI Yanomami, continua sofrendo com a malária. Foto: Fabrício Marinho/Platô Filmes/ISA

Lideranças indígenas Yanomami e Ye’kwana pediram ao governo brasileiro a adoção de medidas conjuntas com a Venezuela para combater o garimpo ilegal e fortalecer as ações de saúde na região de fronteira entre os dois países. A reivindicação foi formalizada em duas cartas elaboradas durante o Encontro Binacional de Awaris e a III Assembleia Geral da Urihi Associação Yanomami.

Os documentos foram encaminhados a órgãos do governo brasileiro, incluindo os ministérios das Relações Exteriores, da Saúde e dos Povos Indígenas, além de autoridades venezuelanas. Entre as propostas está a criação de mecanismos permanentes de cooperação para fiscalização do território e enfrentamento da malária.

Segundo as lideranças, as operações realizadas nos últimos anos reduziram significativamente a presença de garimpeiros na Terra Indígena Yanomami. No entanto, parte dos invasores teria migrado para áreas próximas à fronteira com a Venezuela, dificultando o combate à atividade ilegal.

As associações também alertam para o aumento dos casos de malária na região. Dados preliminares do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária (Sivep-Malária) apontam mais de 25 mil registros positivos da doença na Terra Indígena Yanomami em 2025. A região de Awaris concentra parte significativa dos casos no lado brasileiro.

De acordo com as lideranças, o trânsito frequente de indígenas entre Brasil e Venezuela, motivado por visitas familiares, busca por suprimentos e atendimento médico, contribui para a circulação da doença. O crescimento populacional em comunidades fronteiriças também tem aumentado a pressão sobre recursos naturais essenciais para a subsistência das famílias indígenas.

Um dos documentos cita ainda a situação das comunidades Homoxi e Xitei, localizadas próximas à fronteira. Segundo a Urihi Associação Yanomami, essas localidades continuam expostas aos impactos do garimpo ilegal. O texto menciona a atuação do garimpo conhecido como Taboca, situado em território venezuelano, e aponta reflexos ambientais e sanitários sobre comunidades indígenas dos dois lados da fronteira.

Entre as propostas apresentadas está a criação de uma Câmara Técnica Binacional para coordenar ações entre os governos brasileiro e venezuelano. As lideranças também defendem a elaboração de um Plano Binacional de Combate ao Garimpo Ilegal e a implementação de um programa permanente de controle da malária e fortalecimento da assistência à saúde na região.

As reivindicações foram divulgadas pelo Instituto Socioambiental (ISA), que acompanha as discussões realizadas pelas comunidades indígenas durante os encontros.

ReportagemRedação com informações de Fabrício Araújo, do Instituto Socioambiental (ISA).

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