
Lideranças indígenas Yanomami e Ye’kwana pediram ao governo brasileiro a adoção de medidas conjuntas com a Venezuela para combater o garimpo ilegal e fortalecer as ações de saúde na região de fronteira entre os dois países. A reivindicação foi formalizada em duas cartas elaboradas durante o Encontro Binacional de Awaris e a III Assembleia Geral da Urihi Associação Yanomami.
Os documentos foram encaminhados a órgãos do governo brasileiro, incluindo os ministérios das Relações Exteriores, da Saúde e dos Povos Indígenas, além de autoridades venezuelanas. Entre as propostas está a criação de mecanismos permanentes de cooperação para fiscalização do território e enfrentamento da malária.
Segundo as lideranças, as operações realizadas nos últimos anos reduziram significativamente a presença de garimpeiros na Terra Indígena Yanomami. No entanto, parte dos invasores teria migrado para áreas próximas à fronteira com a Venezuela, dificultando o combate à atividade ilegal.
As associações também alertam para o aumento dos casos de malária na região. Dados preliminares do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Malária (Sivep-Malária) apontam mais de 25 mil registros positivos da doença na Terra Indígena Yanomami em 2025. A região de Awaris concentra parte significativa dos casos no lado brasileiro.
De acordo com as lideranças, o trânsito frequente de indígenas entre Brasil e Venezuela, motivado por visitas familiares, busca por suprimentos e atendimento médico, contribui para a circulação da doença. O crescimento populacional em comunidades fronteiriças também tem aumentado a pressão sobre recursos naturais essenciais para a subsistência das famílias indígenas.
Um dos documentos cita ainda a situação das comunidades Homoxi e Xitei, localizadas próximas à fronteira. Segundo a Urihi Associação Yanomami, essas localidades continuam expostas aos impactos do garimpo ilegal. O texto menciona a atuação do garimpo conhecido como Taboca, situado em território venezuelano, e aponta reflexos ambientais e sanitários sobre comunidades indígenas dos dois lados da fronteira.
Entre as propostas apresentadas está a criação de uma Câmara Técnica Binacional para coordenar ações entre os governos brasileiro e venezuelano. As lideranças também defendem a elaboração de um Plano Binacional de Combate ao Garimpo Ilegal e a implementação de um programa permanente de controle da malária e fortalecimento da assistência à saúde na região.
As reivindicações foram divulgadas pelo Instituto Socioambiental (ISA), que acompanha as discussões realizadas pelas comunidades indígenas durante os encontros.









