O ex-presidente da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) e candidato a deputado estadual Jalser Renier (PSDB) foi encaminhado, na manhã desta quinta-feira (1º), à Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), em Boa Vista. A prisão preventiva foi determinada pela Justiça Eleitoral após um recurso do Ministério Público Eleitoral (MPE), que apontou riscos de continuidade das supostas práticas de corrupção eleitoral investigadas pela Polícia Federal (PF).
Renier deixou a sede da PF, no bairro 13 de Setembro, por volta das 9h30, acompanhado por agentes federais e advogados. Antes de ser levado ao presídio, passou por exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML).
A decisão que determinou a prisão foi assinada na quarta-feira (30) pelo juiz Angelo Augusto Graça Mendes, da 2ª Zona Eleitoral de Caracaraí. O magistrado considerou insuficientes a fiança de R$ 20 mil e as medidas cautelares anteriormente impostas ao candidato, diante dos valores identificados nos documentos apreendidos e da proximidade das eleições.
Segundo a decisão, as planilhas encontradas na residência de Renier apresentam uma previsão de R$ 2.449.300 em despesas identificadas pela sigla “BU”, associada pelos investigadores à compra de votos. O material também contém pagamentos pendentes e programações financeiras para os últimos dias da campanha e para a data da votação.
O juiz considerou que existem indícios suficientes, nesta fase da investigação, para apurar os crimes de corrupção eleitoral e associação criminosa. A decisão não representa uma condenação.
Renier havia sido preso em flagrante no dia 24 de setembro, quando a PF encontrou R$ 19.100 em espécie, celulares e planilhas durante uma operação em sua residência. Ele foi liberado no dia seguinte, após audiência de custódia e pagamento de fiança.
Após o recurso apresentado pelo MPE, a Justiça reformou a decisão anterior, decretou a prisão preventiva e autorizou a restituição da fiança, mediante requerimento da defesa.
O magistrado também autorizou a extração e a perícia dos dados de dois celulares apreendidos na residência do candidato. Além disso, determinou o compartilhamento das provas com a Procuradoria Regional Eleitoral para eventual investigação na esfera eleitoral por compra de votos e abuso de poder econômico.
Operação Lemming
A prisão ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Lemming, com o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão em Roraima. A investigação é um desdobramento da prisão em flagrante de Renier e busca esclarecer a possível participação de outras pessoas em um esquema de corrupção eleitoral.
De acordo com a representação policial, a análise de seis conjuntos de planilhas apreendidos identificou 12.175 registros relacionados a possíveis pagamentos eleitorais, com valores que somam R$ 4.228.100. Esse número corresponde à soma dos registros encontrados nos documentos e não comprova que a mesma quantidade de eleitores tenha recebido dinheiro.
Entre os alvos da operação está Itelvina da Costa Padilha, mãe do candidato, identificada nas planilhas como referência de lideranças eleitorais. A Polícia Federal também investiga a possível participação de Tatyanne Aguilera, esposa de Renier e candidata a deputada federal.
A Justiça, entretanto, rejeitou os pedidos de novas buscas na residência do casal e na clínica médica de Tatyanne por considerar que não havia justificativa suficiente para essas diligências. O juiz autorizou o bloqueio de até R$ 2.449.300 em ativos financeiros de Jalser Renier e Tatyanne Aguilera, de forma solidária, além de bloqueios individualizados contra outros seis investigados.
Também foram determinadas restrições de contato entre os investigados e pessoas relacionadas nas planilhas, com exceções para o convívio estritamente familiar, além da proibição de saques bancários em espécie. As movimentações eletrônicas rastreáveis continuam permitidas.
A reportagem procurou a defesa de Jalser Renier para comentar a decisão judicial e as suspeitas investigadas pela Polícia Federal e aguarda retorno.










