O Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) denunciou, nesta sexta-feira (4), dez influenciadores digitais acusados de integrar uma organização criminosa ligada à exploração do chamado “jogo do tigrinho” e outras plataformas clandestinas de azar. Segundo as investigações da Promotoria Especializada em Organização Criminosa, o grupo movimentou cerca de R$ 67,5 milhões em repasses ilícitos entre janeiro de 2023 e outubro de 2024.
Foram denunciados pelo órgão ministerial: Adrielly Vivianny Araújo de Jesus, Dione dos Santos da Silva, Raniely Silva Carvalho, Patrik Adhan dos Santos Ribeiro, Amanda Lourenço Faria, Laís Ramos Gomes da Silva, Victoria Paixão Barros, Vitória Reis da Silva, Juliana Lima do Nascimento e Gildázio Sobrinho Santos Cardoso.
A denúncia aponta que os influenciadores usavam o alcance nas redes sociais, exibindo carros de luxo, viagens, imóveis e procedimentos estéticos, para iludir seguidores com a promessa de enriquecimento rápido. Para enganar as vítimas, os acusados usavam contas “demo” (de demonstração) fornecidas pelas operadoras, simulando ganhos milionários e irreais.
Ao entrarem no link divulgado e realizarem os depósitos, os apostadores viam o saldo crescer ficticiamente, mas eram bloqueados e impedidos de sacar o dinheiro quando tentavam retirar os lucros.
Lavagem de dinheiro e pedido de reparação
O esquema do tigrinho atuava dividido em três frentes: a gestão das bancas clandestinas, a captação de clientes pelos influenciadores e o núcleo de ocultação patrimonial, responsável por lavar os valores em contas de passagem, empresas de fachada e compras de bens de alto valor.
“Estamos falando de um esquema que explora a confiança das pessoas e a expectativa de obter ganhos financeiros, causando prejuízos que podem comprometer a renda e o patrimônio das vítimas”, ressaltou o promotor de Justiça Carlos Alberto Melotto.
Além da condenação pelos crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa, estelionato, crimes contra a economia popular e propaganda enganosa, o MPRR pediu à Justiça a fixação de indenização para ressarcir os prejuízos financeiros das vítimas identificadas no processo.










