Um homem de 56 anos foi preso preventivamente nesta terça-feira (21) acusado de estuprar e engravidar a própria neta, de apenas 13 anos, na Comunidade Indígena Santa Creuza, no município de Uiramutã. A prisão foi efetuada pela Polícia Civil do Estado de Roraima (PCRR), por meio da Delegacia de Pacaraima, após investigação aberta a partir de denúncia do Conselho Tutelar do município.
O caso começou a ser apurado no último dia 13, quando a Polícia Militar acionou o Conselho Tutelar para averiguar uma grave violação de direitos contra a adolescente. Ao chegar ao local com o apoio policial, a equipe constatou que a menina apresentava cerca de sete meses de gestação. Ao ser questionada pelos pais, a jovem revelou que vinha sofrendo violência sexual cometida pelo próprio avô materno, A. C. L., apontando-o como o pai do bebê.
Segundo o delegado titular de Pacaraima e responsável pelas investigações, Valdir Tomasi, os abusos eram praticados de forma sistemática desde novembro do ano passado. O investigado valia-se do vínculo familiar e do livre acesso à residência para atacar a neta sempre que os pais dela precisavam ausentar-se do local.
A investigação apontou que os crimes ocorriam de forma reiterada, com o agressor agindo sóbrio ou sob efeito de bebidas alcoólicas, mediante violência física e grave ameaça. A adolescente relatou ter sofrido ao menos quatro episódios de conjunção carnal forçada e afirmou que o avô a chantageava, alegando que os familiares jamais acreditariam em sua palavra. Em um dos episódios de tentativa de abuso, a jovem precisou se armar com um facão próximo à cama para conseguir repelir a agressão.
Após a descoberta da gestação, o criminoso ainda tentou encobrir os abusos orientando e pressionando a neta a ingerir chás e infusões de ervas para provocar um aborto clandestino, além de intensificar as intimidações para evitar que o caso chegasse às autoridades.
A Polícia Civil reuniu provas de autoria e materialidade, anexando ao inquérito os relatos da vítima, depoimentos de testemunhas, relatórios do Conselho Tutelar e documentos médicos do acompanhamento pré-natal da adolescente. Com base nos elementos, o delegado Valdir Tomasi representou pela prisão preventiva do suspeito para garantia da ordem pública e proteção da integridade física e psicológica da vítima.
O pedido recebeu parecer favorável do Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) e foi decretado pelo Poder Judiciário, que destacou a gravidade concreta das condutas e o abuso da relação de confiança familiar.
Após o cumprimento do mandado na comunidade indígena, A. C. L. foi detido e encaminhado para os procedimentos legais, ficando à disposição da Justiça para a realização da Audiência de Custódia agendada para esta quarta-feira (22).










