Quem vencer a eleição suplementar para o Governo de Roraima no domingo (21) terá pouco mais de seis meses para administrar o Estado antes do encerramento do atual mandato, em 31 de dezembro. O período reduzido levanta uma dúvida entre os eleitores: afinal, o que um governador consegue fazer em tão pouco tempo?
Dando continuidade à série de reportagens sobre a eleição suplementar para o Governo de Roraima, o Roraima 1 ouviu o cientista político Paulo Racoski. Na avaliação dele, o curto período de mandato não permite grandes transformações estruturais, mas abre espaço para medidas administrativas e ações capazes de gerar resultados concretos para a população.
Segundo Racoski, uma gestão de seis meses deve priorizar a organização da máquina pública, a execução do orçamento disponível e o atendimento das demandas mais urgentes da população.
“Nesse período é possível organizar a máquina pública, garantir a execução do orçamento e atender compromissos importantes do Estado. Também pode dar andamento às obras que já estão em execução para evitar que se tornem projetos abandonados e concentrar esforços nas áreas mais urgentes, como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura”, afirmou.
Para o cientista político, uma das principais marcas que um governo de curta duração pode deixar é justamente a capacidade de concluir ou acelerar projetos já iniciados.
“O mais importante é garantir que as obras já iniciadas avancem. Seja em hospitais, escolas, estradas ou pontes, o Estado precisa evitar que esses investimentos se transformem em estruturas abandonadas. A população espera que aquilo que começou seja concluído ou, pelo menos, encaminhado para que não fique parado”, disse.
Além da continuidade das obras, Racoski destaca a necessidade de manter em dia compromissos com servidores públicos, fornecedores e prestadores de serviço, garantindo a execução do orçamento e atendendo compromissos importantes durante o período de transição.
“Talvez não haja tempo nem condições para conceder aumentos salariais, mas é possível manter os pagamentos em dia, assegurar progressões de carreira e garantir direitos dos servidores, o que também produz impacto na administração pública e na economia do Estado”, detalhou.
Promessas mais viáveis
Na avaliação do cientista político, as promessas mais realistas para um mandato de apenas seis meses são aquelas ligadas à melhoria dos serviços públicos e à execução de ações que já possuem planejamento ou recursos previstos. Segundo ele, algumas áreas permitem entregas mais rápidas quando o foco está na gestão e na aplicação dos recursos já disponíveis.
“Na saúde, por exemplo, é possível aprimorar a gestão e ampliar atendimentos. Na educação, avançar na recuperação de escolas e encaminhar investimentos. São medidas que dependem mais de gestão do que da criação de grandes projetos”, explicou.
Ele também cita a segurança pública entre as áreas que exigirão atenção da próxima gestão, especialmente por características específicas de Roraima. “Quando se fala em segurança pública, Roraima tem características próprias por ser um estado de fronteira. O fluxo migratório continua acontecendo e isso também precisa ser considerado pelo próximo governador na definição das prioridades da gestão”, disse.
Para Racoski, a população tende a cobrar principalmente resultados em setores que enfrentam problemas históricos e afetam diretamente o dia a dia dos moradores. “A principal missão será equilibrar as limitações de um mandato curto com a necessidade de apresentar resultados. A população espera respostas rápidas, principalmente em áreas essenciais, e isso exige capacidade de gestão, articulação política e definição clara de prioridades”, afirmou.
Relação do governador com a Assembleia
Outro fator importante para o desempenho do futuro governador é a relação com a Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR). “Conflitos políticos acabam consumindo um tempo que o governo simplesmente não terá”, avaliou.
Na visão de Racoski, o principal desafio do futuro governador será equilibrar a pressão por respostas rápidas à população com as limitações naturais de uma gestão que termina em dezembro. “A principal missão será equilibrar as limitações de um mandato curto com a necessidade de apresentar resultados. A população espera respostas rápidas, principalmente em áreas essenciais, e isso exige capacidade de gestão, articulação política e definição clara de prioridades”, pontuou.










