A Clínica Renal de Roraima anunciou nesta quinta-feira (6) que vai interromper, a partir desta sexta-feira (7), os serviços de terapia renal substitutiva prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS). A empresa atribui a decisão à falta de pagamento, por parte do Governo de Roraima, dos contratos firmados por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), afirmando que não possui mais recursos para adquirir insumos, manter equipamentos e garantir a segurança dos pacientes em tratamento.
Em comunicado público, a clínica afirma que a interrupção dos atendimentos não decorre de decisão administrativa, divergências políticas ou interesses da empresa, mas da impossibilidade de continuar oferecendo um serviço de alta complexidade sem as condições mínimas exigidas para assegurar a qualidade e a segurança das sessões de hemodiálise.
Segundo a empresa, o Governo de Roraima acumula uma dívida de R$ 7.361.970,72, considerando valores em cobrança administrativa e débitos já judicializados. A clínica informa que, nas negociações mais recentes, cobrou apenas as competências de dezembro de 2025 a junho de 2026, totalizando R$ 2.644.289,99, valor considerado suficiente para manter a operação. Desse montante, conforme o comunicado, o Estado teria pago R$ 1.433.948,55, permanecendo um saldo de R$ 1.210.341,44.
Ainda de acordo com a nota, em 31 de julho a empresa encaminhou novo ofício à Sesau solicitando a confirmação de que o saldo remanescente seria quitado até 10 de agosto, mas afirma que não recebeu resposta oficial nem cronograma de pagamento.
Clínica diz que faltam insumos para manter os tratamentos
A Clínica Renal informou que o pagamento parcial recebido foi utilizado para quitar a folha salarial dos trabalhadores e parte das obrigações tributárias. No entanto, segundo a empresa, os recursos não foram suficientes para recompor o estoque de materiais essenciais ao funcionamento da unidade.
Entre os itens que estariam em falta estão produtos para desinfecção, filtros e componentes do sistema de tratamento da água, peças das máquinas de hemodiálise, medicamentos, soros, heparina, materiais para controle microbiológico, insumos para esterilização e serviços de manutenção preventiva e corretiva.
A empresa afirma que esses materiais são indispensáveis para evitar infecções, contaminações e falhas durante os procedimentos. Por esse motivo, sustenta que manter os atendimentos sem esses recursos poderia colocar os pacientes em risco e que, nessas condições, optou por interromper os serviços.
Empresa afirma que pretende retomar os serviços
No comunicado, a Clínica Renal ressalta que a suspensão não possui motivação política e afirma que pretende retomar os atendimentos assim que houver recursos para recompor os estoques, regularizar os fornecedores e restabelecer as condições mínimas de segurança sanitária. A empresa também diz lamentar os impactos da decisão sobre os pacientes e seus familiares.
O que diz o Governo
Em nota, a Secretaria de Saúde alegou que, efetuou o pagamento à Clínica Renal referente as despesas de Reconhecimento de Dívida da competência de dezembro de 2025 e da competência de junho de 2026, totalizando R$ 1.433.948,55.
As competências de abril, maio e junho de 2026 encontram-se em tramitação administrativa para a alocação dos recursos orçamentários necessários à quitação.
A Sesau disse, ainda, que não há fundamento legal para a suspensão da prestação dos serviços. “Uma vez que os pagamentos em processamento não ultrapassam o prazo de inadimplência previsto contratualmente e na legislação aplicável”, acrescentou.
A Secretaria também disse que segue adotando todas as providências necessárias para a conclusão dos processos administrativos e a manutenção da assistência aos pacientes que necessitam de terapia renal substitutiva.










