Cerca de 40 brigadistas indígenas participam de ações de queima prescrita em diferentes regiões de Roraima durante a janela de manejo do fogo, que começou em setembro e segue até o fim de novembro. Nesta etapa, o trabalho ocorre nos limites das comunidades Serra do Truarú e Morcego, na Terra Indígena Serra da Moça, na região Murupu.
A atividade de queima, também conhecida como planejada, é realizada em parceria entre o Conselho Indígena de Roraima (CIR), por meio do Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas (DGTAMC), e o Programa de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (Prevfogo), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O objetivo é reduzir a quantidade de material combustível existente na vegetação e criar áreas de proteção ao redor das comunidades e roças. A queima prescrita é planejada previamente e depende de autorização das lideranças indígenas, que acompanham a execução.
Como funciona a queima prescrita
Antes da queima, os brigadistas fazem os aceiros, que consistem na limpeza da vegetação ao redor da área que será manejada. A medida reduz a quantidade de material que pode alimentar as chamas e ajuda a impedir que o fogo avance para outras áreas.
Segundo o supervisor das brigadas indígenas do DGTAMC, Jonatas Firmino, o trabalho também considera as condições do vento durante o período escolhido para a atividade
“A queima prescrita é uma queima planejada, onde conseguimos observar a proporção das ventanias (condições do vento) nesse período. A gente está fazendo a redução de combustível e a proteção dos limites das comunidades e roças. Fazemos essa prevenção para evitar incêndios de grandes proporções. É um trabalho em equipe que envolve os brigadistas do PREVFOGO e os brigadistas comunitários que fazem parte do DGTAMC”, explicou.
Os brigadistas utilizam equipamentos como botas, gandolas, óculos, capacetes, pinga-fogo, bombas costais e sopradores durante a atividade.

Atuação em outras regiões
A queima prescrita já foi realizada em áreas consideradas críticas nos municípios de Normandia, na Base Raposa, Bonfim, na região Itacutú, pela Base Pium, e na região Murupu, pela Base Serra da Moça.
As próximas ações estão previstas para Uiramutã, na Base Pedra Branca, Pacaraima, na região Surumu, e Jacaminzinho, na região Serra da Lua.
Participam brigadistas de diferentes comunidades e regiões indígenas participam das atividades. Nove são mulheres. Para a brigadista Cineide Wapichana, da Base Serra da Moça, a presença feminina amplia a participação das mulheres em atividades que antes eram realizadas principalmente por homens.
“É um trabalho que exige força, mas hoje a gente vê que nós, mulheres, temos capacidade de exercer um papel que antes a gente via só os homens fazendo. A gente tem capacidade física e emocional para estar à frente dessas atividades de proteção do nosso território e na educação ambiental. Isso é muito importante”, afirmou.
Monitoramento dos focos de calor
Além do trabalho dos brigadistas e dos conhecimentos tradicionais utilizados no manejo do território, a atividade conta com o acompanhamento da Sala de Situação do CIR. A ferramenta permite monitorar em tempo real os focos de calor registrados nas terras indígenas e auxilia as equipes nas ações de prevenção e combate aos incêndios.
A atuação busca proteger áreas de vegetação, comunidades, roças e recursos utilizados pelas populações indígenas, como plantas medicinais e sementes usadas na produção de artesanato.










