A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou, durante o discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU), o início de um processo que classificou como uma “transformação democrática” do país. Segundo ela, a iniciativa pretende promover mudanças políticas e econômicas, reconstruir instituições e criar condições para a recuperação da Venezuela.
“Tenho o prazer de anunciar que a Venezuela iniciou um processo de transformação democrática para o seu Renascimento. Um processo ordenado, institucional e verificável para construir um país mais livre para todos, mais próspero e mais reconciliado consigo mesmo”, afirmou.
Rodríguez definiu a iniciativa como um processo de “mudança política, econômica e espiritual”, acompanhado de reformas estruturais. Segundo a presidente, o objetivo é estabelecer novas bases para o desenvolvimento nacional e ampliar a participação de diferentes setores da sociedade.
“Trata-se de construir um país onde ninguém precise vencer ignorando o outro, porque somos todos Venezuela, especialmente os jovens que estão apenas começando sua socialização política”, declarou.
Soberania e reconstrução
Durante a fala, Rodríguez também defendeu uma liderança política voltada aos interesses nacionais e independente de pressões externas e das redes sociais. “Devemos aspirar a uma Venezuela cuja classe política esteja intimamente comprometida com os interesses nacionais acima de tudo e não seja refém dos algoritmos da mídia”, afirmou.
A presidente também destacou sua experiência no serviço público e disse que pretende utilizá-la na reestruturação da economia venezuelana. Ao falar sobre o processo de transformação, declarou que “sabe onde estão as portas que devem ser abertas para a profunda transformação da Venezuela e para a construção das novas bases de uma economia a serviço do desenvolvimento nacional”.
Rodríguez citou ainda o pensamento de Simón Bolívar como referência para a soberania e a unidade nacional. Durante o discurso, reproduziu um trecho atribuído ao Libertador sobre a soberania popular e defendeu que os diferentes grupos políticos e sociais atuem conjuntamente na reconstrução do país.
“Não em uma única entidade poderosa, um único partido, uma única facção: vamos todos juntos contribuir com nossos esforços para o renascimento da pátria próspera que nossas filhas e filhos merecem”, afirmou.
Apelo aos jovens que deixaram o país
Um dos pontos destacados pela presidente foi o chamado aos jovens venezuelanos que emigraram nos últimos anos. Rodríguez pediu que eles retornem ao país e participem da reconstrução econômica e institucional.
“Aos jovens que cresceram vendo um país fragmentado e que muitas vezes decidiram partir em busca do que não encontraram aqui: digo que vale a pena acreditar novamente. Este é o momento de construir o país para o qual muitos desejarão retornar, e não apenas aquele do qual muitos quiseram fugir”, disse.
A presidente relacionou a participação dessa parcela da população à construção de uma nova etapa política e econômica na Venezuela, com a criação de oportunidades para as novas gerações.
Crises enfrentadas em 2026
No discurso, Rodríguez afirmou que a Venezuela passou por duas grandes crises ao longo de 2026. A primeira, segundo ela, estaria relacionada ao cenário político interno e à intensificação do confronto com os Estados Unidos.
A segunda foi atribuída aos efeitos de fenômenos naturais. Rodríguez citou o “duplo terremoto de 24 de junho” e mencionou as perdas humanas e materiais provocadas pelo desastre.
“A cada venezuelano que hoje, em meio às perdas materiais e humanas causadas pelo terremoto, se pergunta se vale a pena continuar de pé: eu respondo que sim. Que a força deste povo não se mede em tempos fáceis, mas precisamente em momentos como este”, afirmou.
Ao concluir o discurso, a presidente reconheceu que a recuperação do país deverá ser um processo prolongado.
“Não prometo um caminho fácil. A recuperação do país levará tempo; reconstruir a alma nacional será nossa prioridade. Caminharemos juntos como uma nação que, após a dor, decidiu escolher a esperança”, declarou.
Assembleia Geral das Nações Unidas
A 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas reúne, entre 22 e 28 de setembro, representantes dos 193 países-membros da ONU para discutir questões internacionais e buscar soluções coletivas para temas como paz, segurança, desenvolvimento sustentável, direitos humanos e mudanças climáticas.
O tema deste ano é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. O Brasil também participa da programação, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tendo feito o discurso de abertura do Debate Geral.










