A 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas reúne, entre 22 e 28 de setembro, representantes dos 193 países-membros da ONU para discutir questões internacionais e buscar soluções coletivas para temas como paz, segurança, desenvolvimento sustentável, direitos humanos e mudanças climáticas. O tema deste ano é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. O Brasil também participa da programação, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tendo feito o discurso de abertura do Debate Geral.
Foi nesse contexto que o presidente da Guiana, Mohamed Irfaan Ali, tratou de questões que envolvem diretamente a segurança e a estabilidade do norte da América do Sul. Embora não tenha citado nominalmente o Brasil ou Roraima em seu discurso, Ali abordou a disputa territorial entre a Guiana e a Venezuela e destacou a necessidade de cooperação regional contra o crime transnacional, dois temas que alcançam o entorno da fronteira brasileira.
Guiana cobra solução para disputa com Venezuela
Ao falar sobre seu país, Irfaan Ali afirmou que a Guiana continua defendendo uma solução pacífica para a controvérsia de sua fronteira com a Venezuela. O presidente guianês citou a Sentença Arbitral de 1899 e afirmou que o país vem enfrentando “provocações e agressões prolongadas e repetidas”.
A disputa envolve o território de Essequibo, região reivindicada pela Venezuela e administrada pela Guiana. Segundo Ali, a controvérsia está sendo analisada pela Corte Internacional de Justiça (CIJ), após décadas de tentativas de negociação bilateral e de mediação por mecanismos ligados à ONU.
O presidente afirmou ainda que Guiana e Venezuela participaram das audiências da Corte, concluídas em maio de 2026, e defendeu que os dois países cumpram a próxima decisão judicial.
“Agora que ambos participamos das audiências, concluídas em maio de 2026, instamos a Venezuela a cumprir a próxima decisão, em conformidade com sua obrigação perante a Carta da ONU, assim como a Guiana fará”, declarou Ali.
O presidente guianês disse esperar uma nova fase de relações entre os dois países, associando a resolução da disputa ao desenvolvimento e à estabilidade da região.
Segurança regional também entra no discurso
Outro ponto com reflexos para o norte da América do Sul foi a defesa de maior cooperação no combate ao crime transnacional. Ali afirmou que a Guiana é membro fundador do chamado Escudo das Américas, iniciativa lançada em março de 2026, e disse que o país trabalha com os Estados Unidos e outras 13 nações.
Segundo o presidente, a iniciativa busca ampliar a cooperação, o compartilhamento de informações e a atuação conjunta contra redes criminosas. Ele afirmou que a segurança regional depende de parcerias entre os países.
“Entendemos que somente por meio de parcerias, compartilhamento de informações e cooperação poderemos combater eficazmente as ameaças que representam para nossas economias e para o sustento de nossos cidadãos”, afirmou.
Guiana defende cooperação e desenvolvimento
Além das questões de fronteira e segurança, Irfaan Ali dedicou parte do discurso à agenda de desenvolvimento sustentável, biodiversidade e fortalecimento do multilateralismo.
Por fim, o presidente afirmou que a Guiana pretende integrar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável às políticas públicas e ao orçamento do país. Também destacou iniciativas relacionadas à preservação da biodiversidade e à estratégia nacional de desenvolvimento de baixo carbono.










