Arte
Foto: Divulgação

A Universidade Federal de Roraima (UFRR) inaugura, nesta quinta-feira (7), a Galeria de Arte Dam Kuy A’ki com uma exposição coletiva que reúne diferentes gerações, linguagens e trajetórias das artes visuais produzidas no estado. A abertura ocorre às 19h, no Complexo de Artes da universidade, marcando também o encerramento da residência artística promovida pelo projeto “Nortear – Projeto de Formação e Fomento das Artes Visuais em Roraima”.

A mostra reúne oito artistas, entre indígenas e não indígenas, nomes consagrados e estreantes, mestres dos saberes tradicionais, estudantes universitários e artistas que desenvolvem pesquisas ligadas à identidade amazônica. O resultado é um panorama da produção contemporânea de Roraima, atravessada por temas como ancestralidade, território, espiritualidade, diversidade e preservação cultural. 

Ao todo, participam da exposição Alcione Peres, Ehuana Yaira Yanomami, Francisco Alves, Isaías Miliano, Joana Fidélix, José Leonel Casado Cliffe (Anâkok Taurepang), Luis Antonio Hernandez Garcia (Lu Is Art) e Sourrio Nascente.

Sete deles foram selecionados por edital e receberam bolsa de criação de R$ 3 mil para desenvolver obras inéditas durante a residência artística. A artista yanomami Ehuana Yaira participou como convidada especial.

Ancestralidade ocupa o centro da exposição

Um dos destaques da mostra é a presença de artistas indígenas dos povos Patamona, Macuxi, Taurepang e Yanomami, cujas obras abordam a relação entre memória, espiritualidade, território e preservação cultural.

Com mais de três décadas dedicadas às artes visuais, Isaías Miliano, do povo Patamona, apresenta a instalação “Raízes Aéreas em Mutação”. A obra propõe uma reflexão sobre a contaminação de rios, igarapés e lagos e os impactos sobre os modos de vida tradicionais. O trabalho também integra uma exposição atualmente em cartaz na Pinacoteca de São Paulo.

Representando uma nova geração de artistas indígenas, a estudante de Artes Visuais da UFRR Alcione Peres participa de sua primeira exposição em galeria. Sua obra investiga a relação entre o ser humano e a terra e nasceu durante o período de convivência proporcionado pela residência artística.

“Eu particularmente aproveitei cada momento com os demais artistas, ouvindo suas experiências, trocando conversas, energia e boas risadas”, afirma.

Também integra a exposição a ceramista macuxi Joana Fidélix, recentemente reconhecida nacionalmente com o Título de Notório Saber. Durante a residência, ela compartilhou conhecimentos tradicionais sobre cerâmica e conduziu um ritual simbólico de proteção aos participantes antes das atividades. Na mostra, apresenta a obra “Ko’ko”.

Outro estreante é José Leonel Casado Cliffe, conhecido artisticamente como Anâkok, palavra da língua Taurepang que significa “pássaro misterioso”. Embora participe pela primeira vez de uma exposição em galeria, ele afirma que sua trajetória artística começou ainda na infância.

“Minhas obras focam na preservação cultural, na ancestralidade indígena e na conexão profunda com a terra. Através das cores e das formas, busco retratar a identidade e a espiritualidade que sustentam o meu povo no território”, explica.

Fechando o grupo de artistas indígenas está Ehuana Yaira Yanomami, considerada uma das principais referências da arte indígena contemporânea brasileira. Professora, pesquisadora e liderança yanomami, ela desenvolve obras que retratam aspectos da cosmologia e do cotidiano de seu povo, além do protagonismo das mulheres Yanomami. Sua produção já integrou exposições em instituições como a Fundação Cartier para a Arte Contemporânea, em Paris.

Diferentes técnicas e olhares sobre a Amazônia

A diversidade da exposição também aparece nas linguagens artísticas.

Pessoa não binária, Sourrio Nascente apresenta obras produzidas com materiais naturais e reutilizados, relacionando espiritualidade, natureza e experiências vividas enquanto pessoa trans na Amazônia.

“Essas obras falam sobre corpos não binários, corpos trans e espiritualidade. Trago para a minha arte essa conversa entre identidade, existência e o meu entendimento sobre o mundo”, conta.

Também integra a mostra o artista venezuelano Luis Antonio Hernandez Garcia, conhecido como Lu Is Art. Ele apresenta a série “Symploké: os três gêneros da realidade”, composta pelas obras “M1 Física”, “M2 Psicológica” e “M3 Ideal/Abstrata”.

A programação de abertura contará ainda com performances do artista e professor Francisco Alves, entre elas “Oratório Negro”, intervenção que propõe reflexões sobre memória, identidade e resistência.

Projeto fortalece produção artística em Roraima

A exposição encerra a residência artística do Nortear – Projeto de Formação e Fomento das Artes Visuais em Roraima, iniciativa contemplada pelo Programa Rouanet Norte e patrocinada pelo Banco do Brasil.

O projeto busca fortalecer a produção artística e a economia criativa no estado por meio de formação, intercâmbio e incentivo à criação, reunindo artistas de diferentes trajetórias em processos colaborativos.

Foto: Divulgação

Visitação gratuita

Após a abertura, a exposição poderá ser visitada gratuitamente entre os dias 10 de agosto e 10 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h, na Galeria de Arte Dam Kuy A’ki, localizada no Complexo de Artes da UFRR, na Avenida Ene Garcez, nº 2.413, bairro Aeroporto, ao lado do Centro Amazônico de Fronteiras (CAF/UFRR).

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