O Dia Mundial de Conscientização sobre o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), celebrado em 13 de julho, chama atenção para um transtorno que vai além da infância e pode comprometer a rotina de milhões de adultos. Segundo a Federação Mundial de TDAH, 5,9% dos jovens e 2,5% dos adultos no mundo convivem com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade.
A psicóloga Marciléa Dias explica que o TDAH é um transtorno neurobiológico caracterizado por desatenção, impulsividade e inquietação. Os sintomas surgem ainda na infância e podem permanecer ao longo da vida, afetando a capacidade de concentração, organização e controle dos impulsos.
No ambiente de trabalho, um dos principais desafios é a falta de compreensão sobre a neurodivergência. Segundo a especialista, muitos profissionais com TDAH acabam sendo rotulados de forma equivocada.
“Muitas empresas ainda não estão prontas para lidarem com a neurodivergência e acabam rotulando essas pessoas que apresentam quadro de TDAH como pessoas desatentas, preguiçosas e desinteressadas. Mas as empresas podem tomar atitudes simples para lidar com isso, como flexibilização de horário, instruções passadas por escrito em vez de só falada, evitar que essas pessoas fiquem expostas a poluições sonora e visual, e formalizar essas instruções de maneira que todos os colaboradores possam contribuir para que a produtividade desse profissional se torne cada vez maior”, afirma.
Na vida adulta, além da impulsividade e da inquietação, o transtorno também pode provocar procrastinação intensa, dificuldade para administrar o tempo, cumprir prazos e organizar tarefas. Problemas nos relacionamentos pessoais e profissionais também podem fazer parte do quadro.
Marciléa destaca que identificar o TDAH em adultos costuma ser mais difícil porque muitas pessoas aprendem, ao longo da vida, a mascarar os sintomas para se adaptar às exigências do cotidiano.
“Identificar o TDAH exige do adulto uma investigação profunda e busca por especialistas, como psiquiatras e neuropsicólogos, para chegar ao diagnóstico, mesmo que tardio. E entre os sintomas mais comuns do TDAH nesta faixa etária estão também a procrastinação severa, grande dificuldade de gerenciar o tempo e cumprir prazos, a desorganização e uma impulsividade que podem afetar tanto as conversas quanto as decisões do dia a dia, afetando a vida social e o ambiente de trabalho”, explica.
A psicóloga ressalta que o transtorno costuma ser associado apenas a crianças hiperativas, mas acompanha a pessoa durante toda a vida. Segundo ela, a agitação física tende a diminuir com o tempo, dando lugar a uma inquietação mental constante, que pode favorecer o desenvolvimento de ansiedade e depressão.
O tratamento do TDAH envolve acompanhamento psicológico e, quando indicado, uso de medicamentos prescritos por especialistas.
“Quando uma pessoa com TDAH não busca ajuda, ela traz prejuízos para si mesma, para sua vida profissional, familiar, amorosa e em todas as suas relações, pois ela poderá ser sempre mal interpretada. Por isso a importância de adultos procurarem ajuda para terem o quanto antes esse diagnóstico e melhorarem sua qualidade de vida”, conclui Marciléa Dias.










