O Brasil passará a contar, a partir de 2027, com a primeira universidade federal voltada prioritariamente aos povos indígenas. Batizada de Universidade Federal Indígena (Unind), a instituição foi criada por lei sancionada em maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e será a 70ª universidade federal do país.
Com sede em Brasília, a Unind terá como principal objetivo formar profissionais para atuar em áreas estratégicas das comunidades indígenas, valorizando os conhecimentos tradicionais e a cultura dos povos originários. A universidade será gratuita, financiada pelo Ministério da Educação (MEC) e contará com professores e técnicos concursados.
A maior parte das vagas será destinada a estudantes indígenas, embora a instituição também possa receber alunos não indígenas. O reitor e o vice-reitor deverão ser, obrigatoriamente, indígenas.
Entre os primeiros cursos previstos estão Agroecologia, Gestão Ambiental e Territorial, Sustentabilidade Socioambiental, Saúde Coletiva e Indígena, Direito, Engenharias e Tecnologias, Gestão de Políticas Públicas, Línguas Indígenas e Formação de Professores.
Segundo o MEC, a proposta busca ampliar o acesso ao ensino superior e fortalecer a formação de profissionais comprometidos com a realidade das comunidades indígenas. A criação da universidade também é apresentada pelo governo como uma medida de reparação histórica e de valorização dos povos originários.
A escolha dos cursos foi baseada em consultas realizadas com cerca de 3,5 mil representantes indígenas em seminários promovidos pelo MEC, pelo Ministério dos Povos Indígenas, pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e pelo Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena.
A expectativa é que a universidade alcance aproximadamente 3 mil estudantes nos primeiros quatro anos de funcionamento. Além do campus-sede em Brasília, o governo prevê a implantação de novas unidades em regiões com grande presença de povos indígenas.
A instituição também deverá adotar formas específicas de ingresso para facilitar o acesso de candidatos indígenas, como provas bilíngues, reserva de vagas, validação pelas comunidades e seleção por territórios indígenas.
O governo ainda prevê políticas de permanência estudantil, incluindo bolsas e moradias adaptadas para estudantes que precisem se deslocar acompanhados de familiares.
A demanda pela criação de uma universidade indígena era discutida pelo Ministério da Educação desde 2010. Os estudos foram interrompidos e retomados apenas em 2024, culminando com a aprovação da lei que criou a instituição.










