As organizações indígenas Associação Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes (AYRCA) e Associação das Mulheres Yanomami Kumirayoma (AMYK) receberam autorização para executar o Plano de Visitação do projeto Yaripo – Ecoturismo Yanomami, iniciativa que promove o turismo de base comunitária no Pico da Neblina, ponto mais alto do Brasil.
O projeto prevê atividades de ecoturismo na modalidade montanhismo na montanha sagrada dos Yanomami, conhecida como Yaripo. A visitação ocorrerá exclusivamente nas áreas autorizadas pelas comunidades indígenas e seguirá as diretrizes previstas no plano aprovado para os próximos três anos.
Construído pelas próprias organizações Yanomami, o plano tem como foco a geração de renda sustentável, a valorização da cultura indígena, a proteção do território e o fortalecimento da autonomia comunitária. A proposta envolve diretamente 13 comunidades da Terra Indígena Yanomami localizadas na região de Maturacá, no Amazonas.
A operação turística parte da comunidade de Maturacá e percorre uma trilha pela floresta amazônica até o cume do Pico da Neblina, a 2.995 metros de altitude. Além da experiência de montanhismo, a iniciativa busca proporcionar aos visitantes uma vivência respeitosa da cultura e dos conhecimentos tradicionais Yanomami.
Segundo as entidades responsáveis, o projeto foi estruturado para que os benefícios econômicos sejam compartilhados entre as comunidades envolvidas. Além da contratação de indígenas para atuar na operação das expedições, a proposta prevê a repartição coletiva dos recursos obtidos com a atividade turística.
Outro objetivo é fortalecer a presença das comunidades em uma região historicamente pressionada pelo garimpo ilegal. A ocupação permanente da trilha de acesso ao Pico da Neblina e dos pontos de apoio utilizados nas expedições contribui para ampliar o monitoramento do território e dificultar a ação de invasores.
A autorização foi concedida dentro das regras estabelecidas para áreas que reúnem simultaneamente Terras Indígenas e Unidades de Conservação federais. O processo contou com análise técnica de representantes indígenas e dos órgãos responsáveis pela gestão ambiental e territorial.
O plano também estabelece salvaguardas para garantir a preservação ambiental e o respeito às comunidades. A coleta de espécies da fauna, da flora e de recursos minerais é proibida, assim como pesquisas envolvendo conhecimentos tradicionais sem autorização específica. Fotografias, filmagens e gravações dependerão da autorização dos indígenas.
Considerado um dos principais exemplos de turismo de base comunitária em territórios indígenas no país, o projeto Yaripo busca conciliar geração de renda, conservação ambiental e valorização cultural, tendo as próprias comunidades Yanomami como responsáveis pela gestão e condução da atividade turística.










