Gerlane Baccarin (PL) é casada com o senador Hiran (Progressistas). Foto: acervo pessoal/ @gerlanebaccarin

Nos bastidores da sucessão em Roraima, poucos movimentos surpreendem. Fontes deste colunista no Palácio do governo asseguram que o senador Dr. Hiran (PP) intensificou suas articulações políticas e se reuniu com o governador interino Soldado Sampaio (Republicanos), buscando viabilizar espaço para que sua esposa, Gerlane Baccarin (PL), componha como vice-governadora na chapa do Republicanos ao Executivo estadual.

A movimentação ganhou força diante da possibilidade de o governador cassado, Edilson Damião (União Brasil), não conseguir cumprir acordos políticos previamente desenhados com Hiran, nem na eleição suplementar nem na ordinária, o que dificultaria o projeto do senador de ampliar a ascensão política da esposa.

O primeiro passo foi filiar Gerlane ao PL diretamente por Brasília, em articulação com Flávio Bolsonaro (PL), tentando garantir, como presidente da federação União Brasil/PP, apoio ao projeto eleitoral do PL em Roraima. Hiran então negociou a vaga de vice para a esposa diretamente com Edilson Damião, em um cenário no qual o ex-prefeito Arthur Henrique (PL) disputaria o Senado.

Agora, em conversa com Sampaio, Hiran teria indicado que pretende recorrer novamente a Flávio Bolsonaro para tentar influenciar Arthur Henrique a manter o projeto original de disputar o Senado, e não o Governo de Roraima. Dessa forma, o PL apoiaria a candidatura de Sampaio. Falta, porém, combinar com o diretório local do partido.

Nos círculos políticos, a avaliação é de que Arthur possui autonomia suficiente para definir seu próprio projeto político, sem depender de pressões externas, o que pode limitar o alcance da suposta articulação. A leitura é de que o ex-prefeito deverá disputar o cargo que considerar mais viável politicamente, sem subordinação às negociações conduzidas por Hiran, que sequer integra o PL.

O movimento evidencia que Dr. Hiran tenta ampliar seu peso nas negociações de poder, buscando manter relevância na disputa eleitoral de 2026. Ainda assim, interlocutores observam que, em política, articulações excessivas podem elevar significativamente os riscos de isolamento caso os interesses não se consolidem.

ReportagemRubens Medeiros

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