Foto: Ascom PCRR

Um garimpeiro de 45 anos foi preso dentro de casa, no bairro Caçari, em Boa Vista, durante a Operação Real State, deflagrada nas primeiras horas desta quarta-feira, 15, contra um grupo criminoso especializado em fraudes milionárias com imóveis de alto padrão. O esquema é investigado por causar prejuízo de cerca de R$ 12 milhões.

A prisão ocorreu durante o cumprimento de mandados judiciais expedidos no âmbito de uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Santa Catarina, que aponta a atuação de uma organização criminosa com ramificação em vários estados. Em Roraima, além da prisão, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão nos bairros Caçari, Asa Branca e São Vicente.

O segundo alvo da operação em Boa Vista não foi localizado. Conforme as equipes, ele está atualmente na Guiana. As diligências seguem para tentar capturá-lo.

A ação em Roraima foi coordenada pelo delegado Ricardo Daniel, titular da Delegacia de Defraudações, com apoio do Núcleo de Inteligência e de equipes do 2º e 4º Distritos Policiais. A operação envolveu ainda policiais civis de Amazonas, Ceará, Maranhão e Goiás, além de apoio federal.

Segundo o delegado, a atuação integrada foi essencial para alcançar os alvos fora do estado onde o esquema principal foi identificado.

“A operação é resultado de uma atuação integrada entre as Polícias Civis de vários estados. A Polícia Civil de Santa Catarina conduz a investigação sobre fraudes na aquisição de imóveis em Florianópolis e solicitou o apoio da Polícia Civil de Roraima para o cumprimento de mandados judiciais em Boa Vista”, explicou.

As investigações apontam que o grupo negociou ilegalmente pelo menos cinco imóveis de luxo em Jurerê Internacional, em Florianópolis. As vendas eram feitas sem o conhecimento dos verdadeiros proprietários.

O esquema funcionava de duas formas principais. A primeira envolvia fraude digital, com uso indevido de assinaturas eletrônicas da plataforma Gov.br para inserir vítimas em quadros societários de empresas, o que facilitava a transferência dos imóveis. A segunda consistia na falsificação de documentos, com uso de procurações falsas para lavrar escrituras e concluir as vendas.

Depois de vender os imóveis de forma fraudulenta, o grupo distribuía o dinheiro em várias contas bancárias de terceiros para dificultar o rastreamento. Em seguida, os valores eram direcionados principalmente para integrantes do esquema no Ceará, indicando lavagem de dinheiro.

Ao todo, a operação cumpriu 10 mandados de prisão temporária e 18 mandados de busca e apreensão em cidades de sete estados, incluindo Boa Vista, Manaus, Fortaleza, Goiânia e Trindade.

Os investigados podem responder por estelionato por meio eletrônico, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As penas somadas podem chegar a 21 anos de prisão, além de multa.

O garimpeiro preso foi levado ao 2º Distrito Policial, onde teve o mandado formalizado e, em seguida, foi encaminhado para audiência de custódia.

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