Foto: divulgação/ Embrapa RR

Com foco no fortalecimento da agroindústria e no aproveitamento integral do caju, a Embrapa Roraima realizou nos dias 24 e 25 de fevereiro um curso de produção de cajuína. A capacitação ocorreu no Laboratório de Pós-Colheita da unidade e reuniu agricultoras familiares e indígenas dos municípios de Bonfim e Normandia.

O treinamento foi promovido pela Embrapa Roraima em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), por meio do programa Quintais Produtivos, via Termo de Execução Descentralizada (TED). A iniciativa faz parte das ações de incentivo à cajucultura no estado, viabilizadas por emenda parlamentar da deputada federal Helena Lima (MDB-RR), e contou com apoio do Sebrae, Senai, Di Fruta’s e Bebidas Monte Roraima.

Capacitação une teoria e prática

O curso foi ministrado pelos pesquisadores Ingrid Moraes e Gustavo Saavedra, da Embrapa Agroindústria Tropical, no Ceará, em parceria com as pesquisadoras Caroline Coelho e Mariana Fensterseifer, da Embrapa Roraima.

Durante a capacitação, as participantes aprenderam desde a preparação da matéria-prima até todas as etapas de produção da cajuína. O conteúdo incluiu processos como extração, clarificação, padronização, rotulagem e controle de qualidade, seguindo as exigências do mercado.

Segundo o pesquisador Gustavo Saavedra, o caju tem grande potencial de aproveitamento em Roraima, especialmente o pedúnculo da fruta, que pode ser utilizado para diferentes produtos.

“O pedúnculo do caju pode ser transformado em polpa, suco clarificado, cajuína e doces. Quando trabalhamos o aproveitamento integral do fruto, ampliamos as possibilidades de geração de renda e fortalecemos as comunidades produtoras”, explicou.

Ele destacou ainda que o conhecimento aplicado no curso é resultado de décadas de pesquisa sobre o caju, com estudos iniciados entre as décadas de 1950 e 1970. Para o pesquisador, a parceria entre unidades da Embrapa é fundamental para levar essas tecnologias às comunidades produtoras.

Incentivo à autonomia de mulheres rurais e indígenas

Entre as participantes estavam mulheres da Associação das Mulheres Rurais de Normandia (ASMURN) e da Associação Reviver, formada por moradores indígenas da sede do município de Bonfim. Os dois grupos já recebem orientação técnica da Embrapa e veem no processamento do caju uma oportunidade de geração de renda.

A presidente da Associação Reviver, Lucineia Sagica, afirmou que a capacitação deve ajudar a reduzir perdas na produção e ampliar as possibilidades de aproveitamento da fruta.

“Nas comunidades já usamos o caju nativo, mas parte da produção acabava se perdendo porque fazíamos apenas doces e o mocororó, que é uma bebida tradicional fermentada de caju. Com o curso, aprendemos a produzir cajuína com qualidade, o que pode transformar a rotina da associação e valorizar o trabalho das mulheres indígenas”, disse.

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