Desde 13 de fevereiro, o Ministério da Saúde contabiliza mais de 250 atendimentos no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, com a aplicação de vacinas em mais de 70 indígenas. A mobilização foi intensificada após a confirmação de oito casos de coqueluche na região. As equipes do DSEI receberam reforço de novos profissionais, além do apoio técnico de especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS) e da Força Nacional do SUS (FNS).
Com base em um plano de contingência, a força-tarefa ampliou a vigilância epidemiológica, a busca ativa de casos, a investigação e confirmação diagnóstica, além da coleta de amostras para análise clínica. Também foram intensificadas as ações de vacinação e adotadas medidas de bloqueio com tratamento e quimioprofilaxia, estratégia voltada à interrupção rápida das cadeias de transmissão e à proteção dos grupos mais vulneráveis, especialmente crianças menores de um ano.
Dos oito casos confirmados, todos os pacientes foram encaminhados para hospitais em Boa Vista. Quatro já receberam alta, um permanece internado e houve o registro de três óbitos.
Pacientes com suspeita da doença e seus contactantes estão em tratamento e sob acompanhamento das equipes de saúde. De acordo com a pasta, o controle da coqueluche não se dá por bloqueios geográficos amplos, mas por ações direcionadas aos contatos próximos, com diagnóstico oportuno, uso de antibióticos (quimioprofilaxia) e reforço vacinal.
Avanço na vacinação
Desde a decretação de emergência sanitária no território Yanomami, a cobertura vacinal apresentou crescimento expressivo. Entre 2022 e 2025, o percentual de crianças menores de um ano com Esquema Vacinal Completo (EVC) praticamente dobrou, passando de 29,8% para 57,8%.
Entre crianças menores de cinco anos, o EVC avançou 39% no mesmo período, saindo de 52,9% para 73,5%. O indicador mede a proporção de pessoas que receberam todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação conforme a faixa etária.
Papel da quimioprofilaxia
A quimioprofilaxia é considerada uma das principais ferramentas para conter surtos de coqueluche. A estratégia consiste na administração de antibióticos a pessoas com sintomas respiratórios e a indivíduos que tiveram contato próximo com casos suspeitos ou confirmados, especialmente em contextos com bebês e outros grupos de maior risco. O objetivo é interromper a cadeia de transmissão e reduzir a probabilidade de formas graves da doença.
Reforço nas equipes
Desde 2023, foram contratados mais 1.165 profissionais para atuação no DSEI Yanomami. Atualmente, o distrito conta com 1.855 trabalhadores, um aumento de 169% em relação ao início de 2023, quando havia 690 profissionais.










