Foto: Funai

Representantes de associações indígenas do território Yanomami instalaram, na terça-feira (26), em Maturacá (AM), o Comitê de Governança Yanomami e Ye’kwana. A iniciativa é resultado de cooperação entre a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e tem como objetivo permitir que os povos de diferentes regiões da Terra Indígena Yanomami (TIY) acompanhem, avaliem e participem da formulação de políticas voltadas às comunidades.

A criação do comitê marca a transição de medidas emergenciais, adotadas para mitigar impactos do garimpo ilegal, para ações permanentes voltadas à soberania alimentar, proteção social e territorial e geração de renda.

Segundo a presidente da Funai, Joenia Wapichana, a nova etapa busca substituir a distribuição de cestas de alimentos por projetos sustentáveis.

“Estamos em um momento de transição, saindo das cestas de alimentos para projetos sustentáveis de segurança alimentar, como o fortalecimento das roças comunitárias, a implantação de projetos de piscicultura e avicultura e o incentivo à implantação de roçados. Também estão sendo ofertados cursos de formação para os indígenas com foco em gestão territorial e em segurança alimentar e nutricional”, explicou.

Para João Figueiredo, presidente da Associação Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes (AYRCA), o comitê representa “uma semente que esperamos que não tenha fim” e que deve contar com a continuidade do Governo Federal. “O Comitê é uma semente que está sendo plantada agora, uma coisa nova que esperamos que não tenha fim e que o Governo Federal dê continuidade, que não apague essa luz”, declarou.

A iniciativa integra a Força-Tarefa Yanomami e Ye’kwana (FTYY), parceria entre Funai e Fiocruz que, desde 2025, implementa ações para fortalecer as comunidades e devolver autonomia aos povos impactados pelo garimpo ilegal. Segundo Guilherme Franco Netto, coordenador de Saúde e Ambiente da Fiocruz, a cooperação nasceu em 2024 e já desenvolve atividades que estimulam o protagonismo indígena.

Projetos em andamento

A Embrapa executa um projeto de aquicultura e pesca de pequena escala, com transferência de tecnologias para melhorar a segurança alimentar. Outro projeto da instituição busca preservar variedades tradicionais por meio de Bancos de Sementes e sistemas agroflorestais.

O Instituto Federal de Roraima (IFRR) também atua com projetos de piscicultura e pesca artesanal, oferecendo capacitação, assessoria técnica e unidades demonstrativas de produção aquícola. Oficinas de conscientização e manejo ambiental fazem parte do trabalho.

Já o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o IFRR ofertam cursos de formação inicial e continuada, com módulos produtivos e intercâmbio entre povos para troca de conhecimentos, fortalecendo atividades econômicas e sustentáveis nas comunidades.

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