Palácio Senador Hélio Campos, sede do governo de Roraima. Foto: Secom

Dos milhares de cargos comissionados que caíram no “decretão” e foram exonerados no dia 2 de janeiro pelo governo de Roraima, a maioria não deve voltar à estrutura organizacional do governo do Estado, segundo fontes ligadas às secretarias. As orientações repassadas no ato do desligamento foram um abrandamento de ânimos, já que o governo nunca pretendeu renomear esse pessoal.

A justificativa seria a atualização da estrutura da administração direta, evitando gastos desnecessários de um pessoal que foi majoritariamente contratato para atuar em ano eleitoral. Agora, com o novo fatiamento político das secretarias e com uma nova composição da Assembleia Legislativa de Roraima, o governo de Antonio Denarium (PP) estaria negociando as vagas diretamente com esses líderes. Quem até então não foi orientado sobre a volta, não precisa mais esperar.

Quem entrou no mesmo ritmo organizacional foi a própria Assembleia. O deputado Soldado Sampaio (Republicanos) reduziu alguns assessores da presidência para dar o exemplo aos demais deputados, que agora tiveram as equipes de gabinete reduzidas e estariam sem ter onde lotar seu pessoal. Somente com a estrutura do tamanho da disponível pelo Executivo para acomodar tanta gente que foi ludibriada com promessas de emprego pré-eleitorais.

Na contramão do bom exemplo aos deputados, o mesmo Soldado Sampaio criou novas superintendências com cargos de diretor e gerente, e salários de R$ 7 mil, R$ 8 mil e até de R$ 18 mil para as chefias, além de um programa novo do Legislativo, tendo assim onde acomodar mais colaboradores, sem ser na presidência.

Do mesmo modo que o governo do Estado, a Assembleia também não deve chamar de volta a maioria dos exonerados em seu decretão do início do mês, assim como fora prometido no ato do desligamento. Novas nomeações devem ser feitas especialmente voltadas para os deputados que compõem a mesa-diretora, incluindo o próprio presidente.

Prioridades

Enquanto o orçamento da Comunicação Social do Governo de Roraima aprovado para o ano de 2023 é de R$ 26,8 milhões, para fazer publicidade do governador – boa parte delas com conteúdo contestável – a Cultura roraimense teve seu orçamento delimitado a R$ 17,9 milhões, neste ano.

O governo que prometeu valorizar o setor cultural segue dando o mau exemplo de que não sabe investir dinheiro público e prioriza algo aquém das necessidades e expectativas da sociedade que o reelegeu.

Vira-casaca

  • Parte dos políticos de Roraima que apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já tentam sair na foto com o presidente Lula (PT). Ainda sob tratativas para ver qual partido o aceitará, o senador Chico Rodrigues, que ia para o PL mas já desistiu, agora mirou no PSB, do vice-presidente Geraldo Alckmin. Chico faria então parte da base aliada do governo, a partir disto. O PSB não confirmou se o diretório concordará com a filiação, já que Chico tem um histórico político pouco admirável por siglas de direita, de esquerda e de centro.
  • O novo senador Hiran Gonçalves (PP), já chegou arrumando polêmica com os estudantes de medicina do Brasil. É que segundo ele as faculdades estão formando maus profissionais, e um exame equivalente ao da OAB, para os recém-formados em medicina, seria uma forma de selecionar melhor os profissionais que chegam ao mercado. Se a proposta do senador seguir adiante, capaz de precisar importar Cuba inteira para o Brasil. O presidente Lula (PT) já anunciou que vai trazer de volta o programa “Mais Médicos” que foi extirpado pelo governo de Jair Bolsonaro sob aplausos do próprio Dr. Hiran, que agora diz não ver problema nenhum com a retomada do programa e da importação de mão de obra. Vá entender.

Atos antidemocráticos

  • Lastimável o que aconteceu em Brasília neste início de ano, com os ataques terroristas aos prédios dos Três Poderes. De maneira unânime, os políticos de Roraima reconheceram o impacto negativo que isso representa. Prefeitos, vereadores, deputados, senadores e o governador deram um passo importante ao concordarem que o episódio de 8 janeiro entrou para história do Brasil como a maior vergonha política do período pós-Constituição de 1988.
  • Somente o deputado estadual Jorge Everton (União) tratou os atos antidemocráticos como “a voz que ecoa da sociedade”, endossando a pauta criminosa , baseado em um discurso frágil de liberação do código-fonte das urnas eletrônicas. Assunto este já esgotado pelo Executivo, Judiciário e Legislativo brasileiros. Porém, após a repercussão negativa das falas, o deputado filtrou o pensamento e depois manifestou-se contrário ao ato golpista. Também é válido.
  • Nesta quinta-feira (12), a Polícia Federal informou que encontrou na casa do ex-ministro Anderson Torres uma minuta de decreto golpista, não reconhecendo a derrota nas urnas para o PT. A minuta daria o aval para alterar, inclusive, o resultado das eleições, o que seria inconstitucional. É a prova que faltava para mostrar as intenções reais dos ataques ao patrimônio brasileiro.

O restaurante

O gasto de R$109 mil com refeições para as equipes de segurança do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante visita a Boa Vista, em 2021, foi assunto nacional também nesta quinta-feira. A divulgação das compras feitas por Bolsonaro no cartão corporativo mostram, no mínimo, o uso irregular de um mecanismo que existe para o gasto com despesas pessoais do mandatário, não para outras quaisquer finalidades. Orçamento de segurança, incluindo o almoço dos profissionais em questão, deveria ser com o GSI – Gabinete de Segurança Instituicional do presidente. Existe orçamento próprio para isso.

Se por desorganização, o ex-presidente não levou a sério a aplicação dos orçamentos, terá que responder. Foi sob a justificativa de utilização de artimanhas orçamentárias que Dilma Rousseff perdeu o mandato.

Todavia, havendo a comprovação de que o restaurante de fato prestou esse serviço, essa empresa não pode ser responsabilizada, pois não descumpriu nenhuma lei. Quem tem que responder pelo gasto e pelo cartão é o ex-governo, não o restaurante.

 

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