Roraima não caiu para a 26ª posição em eficiência da máquina pública por acaso. O resultado do Ranking de Competitividade dos Estados 2025 apenas colocou números oficiais naquilo que a população sente diariamente: um governo que não sabe (ou não se importa) em fazer o Estado funcionar.
O levantamento do Centro de Liderança Pública é claro. O pilar que avalia eficiência da máquina pública mede critérios básicos de governança: meritocracia, controle de gastos, gestão de pessoal e qualidade institucional. Não há ideologia nisso. Há método. E, segundo esse método, o governo de Antonio Denarium só não conseguiu ser o pior do Brasil porque o Amapá existe.
Estar em penúltimo lugar nacional e último da Região Norte não é detalhe técnico. É atestado de incompetência administrativa. Especialmente quando se observa que outros estados da mesma região: igualmente pobres, periféricos e pressionados por crises sociais, que conseguiram desempenho superior. Ou seja: o problema não é Roraima. É quem governa Roraima.
Denarium construiu um governo onde a lógica política se sobrepõe à lógica administrativa. A máquina pública virou um amontoado de cargos, contratos e decisões reativas, sem planejamento de médio ou longo prazo. A meritocracia, quando existe, é exceção. A profissionalização do serviço público nunca foi prioridade. O resultado é um Estado pesado, caro e ineficiente , exatamente o oposto do discurso de “gestão” que o governo tenta vender.
O discurso oficial adora culpar fatores externos: decisões judiciais, governo federal, imigração venezuelana, heranças administrativas. Mas rankings como esse desmontam a narrativa. Se fosse apenas contexto, Roraima não estaria tão isolada no fundo do poço. O ranking mostra que há escolhas erradas sendo repetidas, ano após ano.
Eficiência da máquina pública não é jargão técnico para relatório bonito. É o que define se um hospital tem insumos, se um professor é valorizado, se um processo administrativo anda ou apodrece em gavetas. Quando o Estado falha nisso, quem paga a conta é o cidadão comum, não o governador, nem sua cúpula política.
O mais grave é que o resultado não gera qualquer sinal de autocrítica. Não há anúncio de reformas estruturais, revisão de modelos de gestão ou compromisso público com profissionalização do serviço público. O silêncio do governo diante desses dados fala alto: a ineficiência deixou de ser um problema e virou método.
Antonio Denarium governa como quem administra um improviso permanente. E improviso, em gestão pública, não é virtude, é risco. Risco de desperdício, de serviços precários e de um Estado que existe apenas no papel.
O ranking do CLP não humilha Roraima. Ele expõe um governo. E deixa uma constatação difícil de ignorar: Roraima não está atrasada por falta de potencial, mas por excesso de má gestão.








