Deputado Soldado Sampaio (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa de Roraima. Foto: Eduardo Andrade, SupCom ALE-RR.

Ele já foi um dos críticos mais duros do Palácio Senador Hélio Campos. Cobrou publicamente a saída de secretários, elevou o tom contra a crise na Saúde e ajudou a tensionar a relação entre Executivo e Legislativo em Roraima. Hoje, o deputado estadual Soldado Sampaio (Republicanos), presidente da Assembleia Legislativa, adota discurso mais cauteloso. Diz que seu partido integra a base do governo, mas evita se carimbar como governista. Em meio ao julgamento que pode redefinir o comando do Estado, ele afirma estar “tranquilo”, e preparado para qualquer desfecho.

Em entrevista exclusiva ao portal Roraima 1, o presidente do Poder Legislativo falou sobre os rompimentos e a reaproximação com o governador Antonio Denarium, reforçou críticas à atuação da secretária Cecília Lorenzon e comentou o cenário de incerteza no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pode levá-lo provisoriamente ao comando do Estado.

Roraima 1: Falando da sua relação com o governador do Estado, Antonio Denarium, vocês estão alinhados ideologicamente, politicamente? Eu posso dizer que o senhor voltou a ser governista?

Soldado Sampaio: – O meu partido faz parte da base do governo, o Republicanos faz parte da composição do governo. 
Eu tinha um posicionamento de oposição ao governador, mas não de oposição pessoal ao governador. [Fiz] Oposição em algumas questões como foi a questão da Saúde do estado de Roraima, época onde tudo estava de mal a pior, fizemos denúncias graves contra a ex-secretária [De Saúde, Cecília Lorezon, hoje secretária de governo digital do Estado] – ao ponto que o governador reconheceu e teve que trocar o titular da pasta.

Roraima 1: Mas ela permanece Secretária. 
Só mudou de pasta.

Soldado Sampaio: – É, mas na Saúde não. Aí é uma questão do governador se vai mantê-la em outra secretaria, mas nós fizemos naquele momento [o que estava ao alcance], assim também como se eu constatar que ela tá faltando com a verdade na pasta que ela está assumindo atualmente, eu faria o mesmo papel.

Roraima 1: Mas houve, inclusive, denúncia do deputado Cláudio Cirurgião (União Brasil) de que ela cursa medicina em Manaus, sem cumprir expediente presencial na secretaria que ela ocupa atualmente.

Soldado Sampaio: – Nós estamos apurando essa questão de perto pra acompanhar e vamos tomar as providências.

Roraima 1: Insisto, governista ou não, o senhor?

Soldado Sampaio: – Vamos definir o que que nós vamos ser, entendeu? Qual vai ser o nosso alinhamento. Mas, hoje, temos, por exemplo o vice-governador que é do meu partido, Republicanos, que tudo indica que deve assumir o governo a partir de 4 de abril.

Roraima 1: Acabaram de protocolar um pedido para que o TSE paute logo a retomada do julgamento do governador. O senhor está pronto pra assumir o governo se isso for resolvido, amanhã, por exemplo?

Soldado Sampaio:  – Essa é uma missão da Justiça. Vamos aguardar o que vai ser decidido. Eu estou tranquilo, estou fazendo meu papel de presidente. Estou pronto pra tudo.

Entre a crítica institucional e a prudência política, Sampaio tenta equilibrar o discurso. Não rompe, mas também não se entrega completamente ao rótulo de governista. Com o cenário jurídico indefinido e o Republicanos ocupando posição estratégica no tabuleiro estadual, o presidente da Assembleia mantém a porta entreaberta, para qualquer direção que o vento sopre.

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