Em Roraima, o esvaziamento do Progressistas não pode ser lido apenas como um fato isolado. É um teste revelador sobre liderança. O senador Dr. Hiran, até então figura central da sigla no estado, vê ao seu redor uma reconfiguração que não se limita ao campo partidário. Aliados próximos, políticos e pessoais, optaram por outros caminhos, e o que se impôs foi algo que ultrapassa o cálculo eleitoral. Em jogo está a densidade política e, sobretudo, a capacidade de afirmar liderança. De mostrar quem, de fato, conduz e quem apenas acompanha. Permanecer sozinho na política raramente é suficiente.
Partido nenhum se sustenta apenas com um único mandatário. As siglas precisam manter essa capacidade de reunir, de erguer pontes mesmo em cenários adversos, de aglutinar nomes fortes para se manterem na zona de confiança do seu eleitorado. No caso em questão, perder um candidato ao Senado, ex-governador bem pontuado nas pesquisas e sem aviso prévio não é só um alerta qualquer de rompimento, é o desenho em linha fina de que o senador Hiran se tornou desnecessário dentro daquele projeto de poder.
A saída de Gerlane do PP para o PL pode, à primeira vista, ser lida como um movimento bem calculado para abrir novos espaços encabeçado pelo próprio marido. Com Flávio Bolsonaro dando as boas vindas, então, cenário ideal. Ainda é cedo, porém, para saber se essa aposta será suficiente para levá-la à composição de uma chapa majoritária. Mas, com isso, uma coisa é certa: o efeito imediato é mais claro do que o desfecho. Ao fortalecer o PL, o Progressistas acabou se esvaziando em Roraima. E, nesse rearranjo, o custo político pode cobrar um preço alto para o partido.
O Progressistas, sob a liderança nacional de Ciro Nogueira, terá de olhar para Roraima com mais atenção do que o habitual. Não se trata apenas de contabilizar perdas ou reorganizar nominatas. Trata-se de compreender se ainda há, no estado, um eixo capaz de manter o partido coeso, ou se será necessário reconstruí-lo a partir de novas bases.
Dr. Hiran não conseguiu preservar ao partido a densidade necessária para influenciar negociações ou estabelecer condições nas composições. Resta-lhe, ao que tudo indica, um papel mais reativo, até de passividade, dependente do que vier a ser construído por siglas mais fortes. Isso, se a oferta ainda vier.










