A saída de Cecilia Lorezon do governo de Roraima poderia ser apenas mais uma troca administrativa, dessas que passam com uma nota oficial e dois parágrafos burocráticos. Mas não. No caso dela, há sempre um enredo a mais, um tempero que mistura política, polêmica e, inevitavelmente, uma boa dose de tragicomédia.
Lorezon deixa o governo depois de uma trajetória que conseguiu, ao mesmo tempo, ser discreta na função e barulhenta no entorno. Não exatamente pelo cargo em si, mas pelas circunstâncias que o cercaram: episódios que chegaram a chamar atenção de órgãos de investigação e críticas públicas feitas em plenário da Assembleia Legislativa, como as do deputado Dr. Cláudio Cirurgião (UB) e, que questionou sua atuação enquanto conciliava funções públicas com a rotina acadêmica fora do estado.
Era, digamos, uma gestão em “modo híbrido”, antes mesmo de isso virar tendência. Secretaria em Roraima, estudos em Manaus. Uma espécie de home office institucional com upgrade interestadual. É um conceito difícil de explicar.
Houve embate também com o próprio presidente do Legislativo, Soldado Sampaio (Republicanos) que pediu a exoneração da então comandante da Sesau por inúmeras irregularidades, como denunciou em fevereiro do ano passado.
Na ocasião, Sampaio afirmou que a secretária “estaria mais preocupada com interesses financeiros do que com a qualidade dos serviços prestados à população”, no comando da pasta. Denarium trocou Cecília para outra secretaria e ficou por isso mesmo.
Entre os servidores, a despedida também não passa despercebida. Há quem diga que ficará uma lacuna especialmente no campo das relações interpessoais. O estilo direto, firme e, segundo relatos, nada protocolar no trato com equipes, deve deixar saudades… ou, no mínimo, histórias.
Nos corredores, a sensação é de que Cecilia não sai exatamente de cena, apenas muda de palco. Já circula a informação de que ela pode disputar uma vaga na Câmara Federal pelo PSDB, grupo político ligado a Jalser Renier. Se confirmada, a candidatura pode levar para as urnas uma figura conhecida não apenas pela função que ocupou, mas pelo conjunto da obra: uma personagem que transitou entre cargos estratégicos, críticas públicas e episódios que renderam mais de uma manchete.
No fim, sua passagem pelo governo deixa uma marca difícil de ignorar. Não necessariamente pelos resultados mensuráveis, mas pelo roteiro, daqueles que parecem improváveis demais para serem apenas rotina administrativa, mas reais o suficiente para dispensar ficção.










