O rebanho bovino de Roraima atingiu 1.291.065 cabeças em 2025, segundo dados da Agência de Defesa Agropecuária de Roraima. O número é apresentado pelo governo como prova do fortalecimento da pecuária e da eficiência das políticas públicas voltadas ao setor. Mas há um detalhe incontornável: o governador Antonio Denarium é um dos maiores produtores do agronegócio do estado. Pecuária, afinal, não é apenas política pública, é também o ramo de origem do próprio chefe do Executivo.
Os dados mostram forte concentração do rebanho em municípios tradicionalmente ligados à atividade rural, como Mucajaí (162.270 cabeças), Amajari (145.834), Alto Alegre (122.896) e Iracema (122.846). Também figuram entre os maiores números Rorainópolis, Caroebe (105.340), Caracaraí (104.884), Cantá (104.635) e Bonfim (102.953). Já Boa Vista, São Luiz do Anauá, São João da Baliza, Pacaraima, Normandia e Uiramutã somam juntos 187.340 animais.
O presidente da Aderr, Marcelo Parisi, atribui o crescimento a investimentos estruturais, à regularização fundiária e à melhoria genética do rebanho, com uso de inseminação artificial e aquisição de touros de alto padrão. Segundo ele, a segurança jurídica teria estimulado produtores a ampliar pastagens e estrutura.
A narrativa oficial aponta para um ambiente favorável ao agronegócio, com reforço institucional e expansão produtiva. Em 2025, foram emitidas 190.720 Guias de Trânsito Animal (GTAs), indicador da intensa movimentação do setor.
No campo sanitário, Roraima foi reconhecida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária como livre de febre aftosa sem vacinação em março de 2024. Em maio de 2025, o mesmo status foi concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal, ampliando o potencial de acesso a novos mercados.
Em um estado que ainda enfrenta gargalos históricos em infraestrutura, diversificação econômica e geração de emprego fora do setor primário, o crescimento robusto da pecuária coincide justamente com a área de maior familiaridade e interesse do atual governador, sócio do Frigo10, único frigorífico-abatedouro de Roraima, após o fechamento do MAFIRR, que pertencia ao governo do Estado mas foi encerrado pelo atual gestor.
Roraima consolida-se como território de expansão do gado. Resta saber se essa prosperidade será distribuída de forma ampla pela economia ou se continuará concentrada em um setor que, por acaso (ou não) sempre foi o mais confortável para quem governa.








