
Recentemente, o Senado Federal completou cinco anos desde a institucionalização da Bancada Feminina, um avanço na visibilidade e articulação de mulheres no Parlamento. A bancada reúne atualmente 16 senadoras e tem prerrogativas semelhantes às de bancadas partidárias tradicionais, o que fortalece a atuação dela em pautas tão diversas quanto proteção contra violência de gênero e políticas públicas estruturantes. Mesmo assim, mulheres ainda representam menos de 20% dos senadores no Brasil, um número que fica abaixo da média global e revela uma lacuna que precisa ser enfrentada nas urnas, não apenas nos corredores do Congresso.
Esse contexto nacional toca diretamente Roraima. O estado já teve senadoras no passado, como Angela Portela e Marluce Pinto, mas, desde então, mulheres de Roraima estão ausentes da representação na Casa Alta. Neste ano eleitoral, existe uma oportunidade concreta de mudar esse padrão. Entre os nomes discutidos como possíveis candidatas ao Senado estão figuras com experiência e reconhecimento, como Teresa Surita, Joenia Wapichana, Helena da Asatur, Regina Barili e Gerlane Baccarin – diferentes perfis que poderiam trazer não apenas diversidade, mas também representatividade de causas e setores tradicionalmente deixados em segundo plano.
Eleger mais mulheres para o Senado, em especial de estados como Roraima, com grande diversidade cultural, social e ambiental, não é apenas uma questão de justiça de gênero: é estratégico. Como mostram os avanços da Bancada Feminina, a presença feminina em espaços de poder tende a ampliar a agenda legislativa para temas que incluem proteção social, igualdade, educação e desenvolvimento sustentável, pautas que, muitas vezes, ganham menos atenção quando a representação é predominantemente masculina.
Roraima conta com mulheres que acumulam experiência administrativa e trajetórias públicas reconhecidas nacionalmente. É o caso de Teresa Surita, ex-prefeita de Boa Vista por quatro mandatos, cuja gestão se tornou referência em diversos setores, incluindo políticas públicas voltadas à primeira infância, com programas estruturados que ganharam destaque em premiações e fóruns nacionais. Construiu atuação consistente em áreas como direitos humanos, desenvolvimento social e empreendedorismo, reunindo capital político e visibilidade suficientes para representar Roraima em debates estratégicos no Senado.
Além dela, mulheres com trajetória ligada à defesa de direitos indígenas e comunitários, como a presidente da Funai, Joenia Wapichana, poderiam levar à tribuna federal perspectivas que atualmente estão sub-representadas. Isso sem contar o potencial simbólico e prático de eleger líderes que sirvam de inspiração para meninas e jovens de Roraima, mostrando que é possível ocupar os mais altos postos de decisão com competência e compromisso com o bem comum.
Regina Barili é advogada e liderança política em Roraima, com atuação voltada à defesa de pautas sociais, fortalecimento da participação feminina e debates sobre desenvolvimento regional. Com trajetória ligada à organização partidária e à articulação de grupos da sociedade civil, Regina construiu espaço no cenário estadual como voz ativa em temas institucionais e de cidadania. Voltou aos holofotes da política por ter sido presa nos ataques de Brasília do 8 de janeiro. Seu nome também tem sido citado entre as possibilidades para compor uma candidatura feminina ao Senado, ampliando o debate sobre representatividade do estado em Brasília
Helena Lima, conhecida como Helena da Asatur, é empresária do setor de turismo e atua há anos na defesa do fortalecimento da economia local por meio da aviação regional e da integração de Roraima com outros centros do país. À frente da Asatur e da Voare, consolidou seu nome no segmento empresarial e passou a participar mais ativamente do debate público, defendendo políticas voltadas ao desenvolvimento econômico, geração de empregos e melhoria da infraestrutura logística do estado. Seu nome tem sido mencionado como uma das possíveis opções femininas para disputa majoritária, representando o setor produtivo roraimense.
Gerlane Bacarin é uma liderança política em Roraima com atuação ligada ao fortalecimento do partido no estado e à articulação com bases municipais. Com presença em debates públicos e participação em processos eleitorais, tem defendido pautas voltadas ao desenvolvimento local, apoio ao empreendedorismo e maior inserção feminina na política. Seu nome aparece entre os cotados para disputar espaço majoritário, ampliando a representatividade das mulheres roraimenses no cenário estadual e nacional.
Roraima tem talentos, histórias e diversidade para contribuir ainda mais com o debate nacional. Mas isso exige que o eleitorado local pense estrategicamente no futuro e escolha representantes que ampliem a voz do estado no Senado, com as pautas reais de interesse da nossa sociedade. E, neste ano, apoiar candidaturas femininas fortes é uma oportunidade de ouro para que Roraima não apenas marque presença, mas faça diferença na política nacional.







