Roraima registrou aumento de casos de coqueluche até o dia 21 de fevereiro de 2026. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado (Sesau), foram confirmados 16 casos da doença, sendo 11 entre indígenas da etnia Yanomami.
Três mortes foram registradas no estado, todas de bebês com menos de seis meses de idade, faixa considerada de maior risco para complicações da doença.
No dia 19 de fevereiro, a Urihi Associação Yanomami informou, em publicação nas redes sociais, que acompanha desde o dia 13 a situação sanitária na região de Surucucu. Segundo a entidade, até aquela data haviam sido registradas cinco mortes causadas pela doença.
O número, porém, diverge do balanço divulgado pela Sesau, que confirma oficialmente três óbitos.
De acordo com a secretaria estadual, todos os casos foram confirmados por exames laboratoriais. A maior parte das infecções foi registrada em crianças menores de um ano de idade.
Em relação à vacinação, apenas dois dos pacientes diagnosticados haviam iniciado o esquema de imunização contra a coqueluche por meio da vacina pentavalente.
Ainda segundo a Sesau, dos casos confirmados em 2026, dois foram importados da Venezuela. Também houve registros de um caso em Boa Vista, um no município de Caroebe e outro importado do estado de Pernambuco.
A vacinação é considerada a principal forma de prevenção contra a coqueluche e está disponível nas Unidades Básicas de Saúde.
No caso das populações indígenas, a imunização nos territórios é de responsabilidade da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), órgão do Ministério da Saúde responsável pelas ações de atenção básica nessas áreas.
Procurada, a Sesai informou que, desde o início de fevereiro, o Ministério da Saúde reforçou as equipes de saúde no Território Yanomami. Profissionais do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (EpiSUS) e da Força Nacional do SUS (FN-SUS) foram enviados para reforçar o atendimento e a vigilância epidemiológica.
Segundo a secretaria, até o momento foram contabilizados 20 casos confirmados e três mortes. Todos os pacientes com suspeita da doença e pessoas que tiveram contato com infectados estão em tratamento e sendo acompanhados pelas equipes de saúde.
Dados da Sesai indicam que a cobertura vacinal entre crianças indígenas aumentou nos últimos anos. Entre 2022 e 2025, a taxa de vacinação contra a coqueluche passou de 29,8% para 57,8%.
Entre crianças menores de cinco anos, o índice subiu de 52,9% em 2022 para 73,5% em 2025.
Apesar do avanço, a secretaria afirmou que a situação ainda preocupa. Em nota, o órgão destacou que a baixa cobertura vacinal em parte da população Yanomami aumenta o risco de agravamento e de disseminação da doença, principalmente entre crianças.








