Foto: PAC/divulgação

A Roraima Energia pediu à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o pagamento de R$ 10,4 milhões por meio da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), fundo usado para custear a geração de energia em sistemas isolados, como o de Roraima.

O pedido foi feito depois que a Aneel negou uma solicitação da empresa para resolver, de forma imediata, um problema de contratação de energia acima da necessidade real. Essa situação ocorreu por causa de um contrato firmado com a usina termelétrica Novo Tempo Barcarena, no Pará, que tem capacidade de 630 megawatts e pertence à empresa New Fortress Energy.

Segundo a Roraima Energia, o objetivo é garantir equilíbrio financeiro em 2026 e evitar prejuízos que possam afetar a operação da distribuidora. A empresa foi comprada em 2025 pela Âmbar Energia, do grupo J&F, mas a conclusão do negócio ainda depende de autorizações regulatórias.

A distribuidora explicou que, em novembro de 2025, pediu à Aneel que fosse aplicado a Roraima o mesmo tratamento dado a empresas já ligadas ao Sistema Interligado Nacional, o que permitiria compensar os custos do contrato. O volume de energia contratado com a usina representa mais de 22% de todo o portfólio da empresa.

O problema, segundo a companhia, é que a energia contratada passou a ser entregue, mas não entrou nos cálculos de compensação do mercado elétrico, fazendo com que toda a despesa ficasse concentrada na Roraima Energia. Na prática, a empresa afirma que precisou pagar a energia por um valor mais alto e revendê-la por um preço médio menor, o que gerou prejuízo.

Além disso, a empresa informou que, no período em que o problema ocorreu, os recursos disponíveis nas tarifas foram usados integralmente para cobrir os custos da geração de energia no sistema isolado de Roraima. Com isso, o impacto financeiro acabou recaindo diretamente sobre a própria distribuidora.

A Aneel, no entanto, decidiu negar o pedido. O diretor Willamy Frota avaliou que não ficou comprovado desequilíbrio financeiro imediato e que os valores devem ser analisados e compensados nos processos tarifários regulares, previstos para ocorrer a partir de 2026.

Em seu voto, o diretor reconheceu que a situação ocorreu porque Roraima ainda não está conectada ao sistema nacional de energia. A linha de transmissão entre Boa Vista e Manaus, que permitiria essa integração, ainda não entrou em operação comercial. Por isso, a distribuidora acabou pagando a energia pelo valor do contrato, mas cobrando dos consumidores com base no preço médio do mercado regulado.

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