Roraima permanece como um dos principais destinos e pontos de passagem da migração venezuelana no Brasil. Atualmente, 59.163 venezuelanos vivem no estado, segundo dados mais recentes, número que mantém Roraima entre as unidades da federação com maior concentração proporcional de migrantes no país.
A maior parte dessa população está concentrada em Boa Vista, onde os impactos sociais, econômicos e estruturais da migração são mais evidentes. A proximidade com a fronteira faz do estado a principal porta de entrada de cidadãos que deixam a Venezuela em busca de trabalho, atendimento de saúde e condições básicas de sobrevivência.
Para se ter uma ideia da dimensão do impacto migratório em Roraima, o estado abriga 59.163 venezuelanos, número quase duas vezes maior que o registrado no Amazonas, segundo estado brasileiro que mais recebe migrantes da Venezuela, com cerca de 30 mil pessoas.
Mesmo possuindo território menor, menor população e estrutura administrativa mais limitada, Roraima concentra proporcionalmente o maior contingente de venezuelanos do país. Na prática, isso significa que a pressão sobre serviços públicos, mercado de trabalho e políticas de assistência é significativamente mais intensa em Roraima do que em estados maiores e com mais capacidade de absorção, como o Amazonas.
Enquanto o Amazonas distribui sua população migrante principalmente entre Manaus e municípios do entorno, em Roraima a concentração ocorre majoritariamente em Boa Vista, o que amplia os desafios urbanos e sociais.
Pressão sobre serviços públicos
O crescimento da população migrante ao longo dos últimos anos tem ampliado a pressão sobre a rede pública de saúde, educação e assistência social. Escolas estaduais e municipais absorveram milhares de alunos venezuelanos, enquanto unidades de saúde lidam com demanda elevada, especialmente em atendimentos de urgência e atenção básica.
Mesmo com o apoio de programas federais e de organismos internacionais, gestores locais apontam dificuldades para manter a qualidade dos serviços diante do aumento populacional concentrado em curto espaço de tempo.
Interiorização reduz impacto, mas não resolve gargalos
A política de interiorização, que transfere parte dos migrantes para outros estados brasileiros, contribuiu para reduzir a sobrecarga imediata em Roraima, mas não eliminou os desafios estruturais. O fluxo migratório continua ativo, especialmente pela fronteira de Pacaraima, mantendo constante a entrada de novos venezuelanos.
Além disso, muitos migrantes que passam pela interiorização acabam retornando ao estado, sobretudo a Boa Vista, em busca de redes de apoio já estabelecidas.
Inserção no mercado de trabalho
No mercado de trabalho, a presença venezuelana é percebida principalmente nos setores de serviços, comércio, construção civil e atividades informais. Para especialistas, a integração econômica ocorre de forma desigual: enquanto parte dos migrantes consegue emprego formal, muitos permanecem em situação de vulnerabilidade social.
Empresários locais reconhecem a mão de obra disponível, mas apontam entraves como barreiras linguísticas, documentação e qualificação profissional.
Realidade permanente
Passados mais de sete anos do início do fluxo migratório intenso, a presença venezuelana em Roraima deixou de ser tratada como fenômeno temporário. Os 59.163 venezuelanos residentes no estado indicam que a migração se tornou uma realidade permanente, exigindo políticas públicas contínuas e planejamento de longo prazo.
Para autoridades locais, o desafio agora não é apenas acolher, mas integrar, garantindo acesso a serviços, trabalho e moradia sem comprometer a capacidade do estado de atender sua própria população.








