A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) divulgou a 9ª edição do Dossiê Assassinatos e Violências contra Travestis e Transexuais Brasileiras, com dados referentes a 2025. O material reúne estatísticas e artigos analíticos sobre a violência contra pessoas trans no país e mantém o Brasil como líder mundial em assassinatos dessa população, segundo o levantamento da entidade.
Entre os textos que compõem o dossiê está o artigo “Corpos e Territórios: Colonialidade, Transfobia e Genocídio de Indígenas Trans e Travestis”, que trata especificamente da situação de indígenas trans e travestis. O estudo aponta que a violência contra esse grupo ocorre de forma associada a fatores históricos e estruturais, como racismo, transfobia e processos de colonização ainda presentes nas políticas públicas e nas relações institucionais.
De acordo com o artigo, indígenas trans e travestis enfrentam múltiplas formas de violação, que envolvem não apenas agressões físicas, mas também dificuldades de acesso a direitos básicos, como saúde, educação, proteção social e permanência em seus territórios de origem. O texto analisa que essas violações estão relacionadas à imposição de padrões sociais e institucionais que desconsideram identidades de gênero dissidentes dentro dos povos indígenas.
Território e identidade
O estudo destaca que, para muitos povos indígenas, o território está diretamente ligado à identidade individual e coletiva. Nesse contexto, a exclusão de indígenas trans e travestis de suas comunidades ou territórios é tratada no artigo como um fator que amplia a vulnerabilidade social e institucional desse grupo.
Segundo a análise apresentada no dossiê, a combinação entre transfobia e racismo contribui para a invisibilidade dessas pessoas nos registros oficiais e nas políticas públicas, dificultando o monitoramento de casos de violência e a formulação de ações específicas de proteção.
Ausência de dados e políticas públicas
O artigo também aponta a escassez de dados oficiais sobre indígenas trans e travestis no Brasil. De acordo com o texto, a subnotificação de casos de violência e a ausência de informações sistematizadas limitam a atuação do poder público e a elaboração de políticas voltadas a essa população.
A análise relaciona esse cenário à falta de políticas públicas específicas e à dificuldade de acesso a serviços essenciais, o que contribui para a manutenção de situações de risco social e institucional.
Conteúdo do dossiê
A 9ª edição do Dossiê da ANTRA foi organizada por Bruna Benevides e reúne dados nacionais sobre assassinatos, tentativas de homicídio e outras formas de violência contra pessoas trans em 2025, além de artigos que abordam temas como segurança pública, justiça, saúde, educação e direitos humanos.
O material é divulgado anualmente pela entidade e utiliza informações coletadas a partir de monitoramento de casos noticiados pela imprensa e por organizações da sociedade civil.








