Foto: Arquivo/ Futurapress

A prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos continua a provocar uma onda de reações entre venezuelanos, especialmente refugiados, que demonstram, em parte, apoio à ação. Um ato realizado no sábado (3) reuniu dezenas de venezuelanos para celebrar o episódio. Refugiados afirmaram nutrir esperança com o fim do regime, mas reforçaram que a reconstrução da Venezuela deve ser conduzida pelo próprio povo, sem o comando dos Estados Unidos, como defende Donald Trump.

O jornalista venezuelano Eduardo Parica afirmou que nunca teve a oportunidade de ver seu país em uma realidade política diferente e que a saída de Maduro representa a queda de um poder que retirava os direitos do povo.

“A saída de Nicolás Maduro e de parte da cúpula que sustentava o regime representa um avanço significativo. Trata-se de um momento histórico que abre espaço para um processo de transformação e reconstrução da democracia venezuelana”, informou.

Ele disse que há mais de duas décadas o povo tem seus direitos fundamentais negados, incluindo o voto livre e escolha democrática de seus direitos. Parica destacou que o país começa agora um processo de retomada.

“Embora ainda existam muitos desafios pela frente, enfraquecer a estrutura autoritária que se consolidou ao longo dos anos é um passo essencial para a retomada da institucionalidade, da economia e da confiança do povo no futuro do país”, disse.

Eduardo Parica afirmou, ainda, que é bom para o país ter boas relações diplomáticas com os Estados Unidos, mas que para a reconstrução da democracia no país é preciso que seja feito pelo próprio povo venezuelano.

“Ninguém conhece melhor a realidade, a estrutura e a complexidade do país do que o próprio povo venezuelano e suas lideranças internas. É importante reconhecer que ainda existem ramificações do antigo regime que precisam ser desarticuladas, mas esse processo não deve ocorrer por meio de uma imposição direta de forças estrangeiras. Ele precisa acontecer internamente, de forma estratégica e responsável, para evitar instabilidades ainda maiores”.

‘Insustentável’

Uma venezuelana que preferiu não se identificar por medo de possíveis repressões de governos municipais à sua família que vive na Venezuela, afirmou que a saída de Maduro encerra um ciclo político que estava insustentável. Ela defende que haja uma transição política.

“Já sobre a permanência da vice-presidente, o ponto central deveria ser a estabilidade durante uma transição. Vácuos de poder costumam agravar crises; por isso, é importante que qualquer decisão priorize o povo, e não interesses externos ou pessoais”.

Quanto à promessa feita pelo presidente americano Donald Trump de comandar o país, a mulher ressaltou que historicamente intervenções como a dos Estados Unidos não são soluções definitivas e que o direito de escolha deve ser dado ao povo.

“Essas intervenções podem influenciar, podem pressionar, mas a reconstrução real só ocorre quando um país assume a responsabilidade pelo seu próprio futuro, com apoio internacional, não sob tutela. Todo esse cenário deixa uma lição clara: a dependência, seja de um governo, de um recurso ou de um país, sempre cobra seu preço. A Venezuela precisa aprender com sua história para não repeti-la”, destacou.

O barbeiro Jonathan Martínez, de 27 anos, vive no Brasil há seis anos. Atualmente, está acolhido na Casa de Passagem, no Centro de Manaus, e afirma manter a esperança de que a situação em seu país melhore e possa retornar.

“Estamos com medo de que saia um ruim e entre um pior. Sim,  isso mesmo.  A situação agora vai ficar um pouco ruim ainda, porque o governo pegou outra cara que também é ruim.  O ideal é que todos ligados a Maduro saíssem da Venezuela. Eles (Estados Unidos) tiraram o Maduro, isso é bom, mas o povo tem que voltar a escolher”.

Vice-presidente no comando

A captura do presidente venezuelano foi anunciada por Donald Trump em suas redes sociais. No “X”, ele disse: “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa”, disse o presidente norte-americano.

Em seguida, Trump afirmou em pronunciamento que os Estados Unidos iriam comandar a Venezuela de forma interina até que haja uma transição justa. Ele declarou que queria “liberdade” e Justiça para a Venezuela.

Após as declarações, no domingo (4), às Forças Armadas venezuelanas reconheceram a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, como presidente interina da Venezuela depois da Suprema Corte do país ordenar que comandasse o país.

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