A queda de Nicolás Maduro diminuiu, ao menos por agora, o risco de um conflito fronteiriço entre a Venezuela e a Guiana, país que se tornou estratégico no mercado global após grandes descobertas de petróleo na última década.
As reservas encontradas pela Exxon Mobil na costa guianense levaram Maduro a reacender uma disputa territorial centenária sobre a região do Essequibo, área que representa cerca de dois terços do território do país. Embora as ameaças venezuelanas não tenham interrompido a produção de petróleo, elas elevaram os riscos políticos e financeiros para empresas interessadas em investir na região.
Analistas avaliam que a captura de Maduro praticamente encerra, por ora, as reivindicações venezuelanas. Para o mercado, isso representa uma queda relevante do risco geopolítico. “Os retornos ajustados ao risco melhoraram porque a Venezuela não vai mais interferir”, afirmou o investidor Dan Pickering, do setor de energia.
A presidente do Laboratório de Energia da Universidade de Nova York, Amy Myers Jaffe, avalia que a mudança reduz de forma significativa a possibilidade de conflitos futuros entre os dois países. Segundo analistas, a disputa territorial pode, inclusive, ter pesado na estratégia dos Estados Unidos ao lidar com a Venezuela.
O presidente da Guiana, Irfaan Ali, celebrou a destituição de Maduro e afirmou que a medida reforça o compromisso do presidente Donald Trump com a segurança regional.
Maduro está preso em Nova York, onde aguarda julgamento por acusações de tráfico de drogas, conspiração e porte ilegal de armas. No poder, ele tentou reabrir uma disputa do século XIX com o Reino Unido sobre o Essequibo, resolvida por arbitragem internacional em 1899 — decisão que definiu as atuais fronteiras da Guiana, independente desde 1966.
Diante das ameaças, o governo guianense recorreu à Corte Internacional de Justiça e chegou a adiar autorizações para exploração de petróleo em áreas próximas à fronteira com a Venezuela.
Com a mudança no cenário político, analistas avaliam que novas disputas envolvendo o petróleo offshore da Guiana ficam menos prováveis. A Exxon opera o Bloco Stabroek, principal área produtora do país, ao lado da Chevron e da chinesa CNOOC, agora em um ambiente considerado mais estável e seguro para investimentos.








