Mecias de Jesus e Darbilene (Republicanos). Foto: reprodução/ @darbilene

Movimentos recentes na política local indicam a construção de um projeto que vai além de uma candidatura comum. Nos bastidores, ganha força a estratégia atribuída ao Conselheiro Mecias de Jesus de eleger a própria esposa, Darbilene (Republicanos), para uma vaga na Assembleia Legislativa e, já no primeiro mandato, conduzi-la à presidência da Casa. E se você falar “Eu duvido!”, é pior, que aí acontece mesmo.

Não se trata apenas de uma disputa eleitoral. O que está em jogo é o desenho de poder que se pretende retomar. Eleger um aliado próximo é parte legítima do jogo político. Mas quando esse aliado é um cônjuge e o objetivo é colocá-lo diretamente no comando do Legislativo, o debate deixa de ser apenas político e passa a ser muito mais institucional.

A presidência de uma Assembleia não é um cargo qualquer, e ele bem sabe disso. Ocupou a cadeira por muitos e muito anos, e conhece os frutos que colheu daquele Poder. É ali que se definem pautas, o ritmo das votações e, em muitos casos, o grau de independência do Parlamento em relação a outros poderes. Antecipar esse movimento, antes mesmo da eleição, ainda que para os correligionários mais chegados, revela um planejamento que levanta questionamentos inevitáveis sobre concentração de poder e possíveis conflitos de interesse.

Há também um sinal simbólico importante. Projetos políticos familiares não são novidade em Roraima, mas continuam gerando desconforto porque tensionam princípios básicos da democracia, como a alternância de poder e a autonomia entre as instituições. Quando uma mesma estrutura busca ocupar simultaneamente espaços estratégicos, o risco não está apenas na vitória eleitoral, mas no que vem depois dela.

Defensores podem argumentar que, uma vez eleita, qualquer parlamentar tem legitimidade para disputar a presidência da Casa, e isso é verdade. O problema está na lógica anterior: quando o projeto já nasce com cargos definidos, como se o voto popular fosse apenas uma etapa de formalização de decisões previamente tomadas. Como se já soubesse, de antemão, que é possível ter os outros 23 deputados que sequer ainda foram eleitos, nas mãos.

A política pede articulação, planejamento e construção de maioria. E também exige limites. A independência do Legislativo é um desses limites que não deveriam ser relativizados. Quando ela é colocada em dúvida, quem perde não é apenas a oposição ou grupos adversários, mas o próprio funcionamento democrático.

O projeto do Republicanos em Roraima é ampliar ainda os espaços de poder. Ampliar o numero de vagas na Assembleia, Câmara, Tribunais de Contas… dominar geral.  Mas, principalmente, se tornar independente da União Progressista, de Damião e Denarium (PP e União Brasil). Estão vendo a parceria esfacelar.

Por mais que eles acreditem que que vão compor a majoritária, como afirmado pelo novo presidente do partido em Roraima, Marcos Jorge, em entrevista à rádio Folha, somente saberemos depois de 3 de abril, quando finalmente Damião tiver a caneta na mão e o poder de decisão. Aí é que saberemos quem vai honrar quem.

O Republicanos sabe que esta vaga ainda não foi decidida e precisa ser conquistada, e não cobrada, como foi feito hoje com indiretas e ares de traição a quem não reconhecer o “apoio que o partido Republicanos deu ao governo Denarium desde 2018”, como argumento para compor a majoritária. Damião segue em tratativas com diversos grupos e partidos, e mandou avisar em voz alta que só vai decidir o vice no prazo-limite das convenções partidárias.

Se a gente parar para analisar bem, talvez o Republicanos deva muito mais a Denarium e Damião do que eles ao Republicanos. Sem a Caer de torneiras abertas, sem a alocação de apaziguados no Detran e outros inúmeros espaços escancarados pelo governador e pelo PP ao longo dessa gestão para Mecias de Jesus e sua trupe, incluindo sua recente posse no Tribubal de Contas do Estado, dificilmente esse grupo teria alcançado o mesmo nível de influência que hoje reivindica.

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