Foto: Divulgação Recode

Um projeto inovador liderado por mulheres indígenas que alia inteligência artificial, preservação cultural e geração de renda já conta com participação de Roraima, estado que integra a rede nacional da iniciativa. A plataforma, batizada de Arandu, palavra que significa “sabedoria” em tupi-guarani, foi desenvolvida dentro do programa Círculos Indígenas e tem como objetivo fortalecer a autonomia econômica das comunidades e garantir que saberes ancestrais sejam preservados e difundidos no ambiente digital.

A iniciativa foi destacada pelo jornal A Crítica, que mostrou como o projeto vem sendo construído de forma colaborativa por mulheres de diferentes etnias, incluindo participantes de Roraima, onde a proposta também encontra terreno fértil diante da diversidade cultural indígena do estado.

A plataforma Arandu funciona como um ambiente digital multifuncional, permitindo a produção de conteúdos em texto, áudio, vídeo e artes visuais, além de atuar como um acervo cultural digital. Outro eixo central é a criação de um e-commerce, voltado à comercialização de produtos, artesanato e criações autorais desenvolvidas nas aldeias, ampliando as fontes de renda das famílias indígenas.

Desenvolvida a partir de uma convocação da Recode, a plataforma foi construída ao longo de 2025 com participação direta das mulheres indígenas, que atuam não apenas como usuárias, mas também como gestoras do projeto. A proposta rompe com a lógica de soluções tecnológicas impostas de fora e valoriza o protagonismo indígena na criação e no controle das ferramentas digitais.

Em Roraima, a presença do projeto reforça a possibilidade de uso da tecnologia como aliada na valorização das línguas, tradições e modos de vida indígenas, além de abrir caminhos para inserção econômica em um contexto cada vez mais digital. A expectativa é que o alcance do programa continue crescendo, com a meta de reunir 240 participantes até 2026, incluindo novas integrantes do estado.

Além do impacto econômico, o projeto também enfrenta desigualdades históricas no acesso à tecnologia. A Arandu conta com recursos de tradução entre línguas indígenas e o português, além de sugestões inteligentes de formatos de conteúdo, buscando ampliar a presença digital das comunidades sem descaracterizar suas tradições.

A iniciativa se consolida como um exemplo de como tecnologia, cultura e desenvolvimento social podem caminhar juntos — e como Roraima também faz parte desse movimento de inovação com identidade e pertencimento.

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