O Ministério Público Federal em Roraima instaurou um inquérito civil para apurar possíveis práticas de retirada não autorizada de órgãos de corpos de indígenas do povo Yanomami, levantando preocupações sobre o respeito aos costumes funerários desses povos tradicionais.
A investigação foi motivada por relatos e indícios de que, em ao menos um caso, partes do corpo (em especial o cérebro) possam ter sido retiradas após a morte de uma indígena do subgrupo sanumá, ocorrida em fevereiro de 2025 em circunstâncias violentas.
Como parte dos procedimentos, a promotoria requisitou esclarecimentos a uma funerária de Boa Vista sobre as técnicas que utiliza em corpos de indígenas, incluindo se há práticas que envolvem a remoção de órgãos ou tecidos, como é tradicionalmente proibido pelos rituais funerários do povo Yanomami. A empresa também precisará detalhar se mantém diálogo com as comunidades indígenas antes de procedimentos e se seus funcionários recebem capacitação específica para respeitar os costumes locais.
O caso reacende o debate sobre o respeito às tradições e direitos dos povos indígenas no estado, especialmente em contextos em que práticas externas podem colidir com formas de vida, de morte e de luto que são centrais à cultura desses grupos.








