A reorganização partidária em Roraima para as próximas eleições começa a revelar movimentos que vão além das estruturas formais. No caso do PSDB, o comando oficial está nas mãos do ex-deputado federal Edio Lopes. No entanto, nos bastidores da política local, cresce a percepção de que outro nome exerce influência significativa nas decisões estratégicas do partido: o ex-deputado estadual Jalser Renier.
A presença de Jalser nas articulações não é exatamente uma novidade para quem acompanha a política roraimense. Conhecido pela habilidade de costurar alianças e montar chapas competitivas, ele tem participado das conversas que definem rumos eleitorais, incluindo a escolha de possíveis candidatos e a organização das bases políticas.
Entre os nomes que devem disputar vagas nas eleições deste ano pelo PSDB aparecem figuras conhecidas do cenário local, como Cecília Lorezon, Luciano Castro e o próprio Edio Lopes. A expectativa dentro do grupo é montar uma nominata competitiva, capaz de aproveitar um ativo importante do partido: o fundo eleitoral.
As projeções indicam que o PSDB deve contar com mais de R$ 3 milhões em recursos do fundo eleitoral em Roraima, valor significativo para a realidade das campanhas proporcionais no estado. Em um cenário de eleições cada vez mais dependentes de estrutura financeira e organização partidária, o controle sobre esses recursos naturalmente aumenta o peso das decisões internas.
É nesse ponto que surgem questionamentos políticos legítimos. Se, oficialmente, o partido está sob a liderança de Edio Lopes, até que ponto as decisões refletem apenas sua condução? E qual é o papel real de Jalser Renier dentro dessa engrenagem?
A situação se torna ainda mais curiosa porque, formalmente, Jalser não está no PSDB. Ele responde pela presidência estadual do Avante em Roraima. Ou seja, a influência atribuída a ele ocorre de maneira indireta, no campo das articulações políticas e das relações pessoais construídas ao longo de anos na vida pública.
Na política, é comum que lideranças atuem além das fronteiras partidárias. O problema surge quando a distância entre o comando formal e o comando real começa a gerar dúvidas sobre transparência e autonomia das decisões.
Para um partido que tenta se reposicionar no cenário político estadual, a clareza sobre quem conduz o projeto é fundamental. Afinal, eleitor e militância precisam saber quem assume responsabilidades pelas escolhas feitas agora e pelos resultados que virão depois das urnas.
No fim das contas, mais do que discutir nomes ou bastidores, a questão central é simples: quem está desenhando o futuro do PSDB em Roraima, o dirigente oficial ou o estrategista de bastidor?
A resposta, como quase tudo na política, provavelmente aparecerá na prática das próximas semanas e, principalmente, no resultado das urnas.
E um adendo: mesmo após ter sido cassado pela Assembleia Legislativa de Roraima por suspeita de envolvimento como mandante das agressões contra o jornalista Romano dos Anjos, em 2020, o ex-deputado Jalser Renier disse a interlocutores que irá disputar “de certeza” as eleições deste ano e garantiu que estará na corrida eleitoral.








