Edilson Damião (União Brasil) é o novo governador de Roraima. Foto: Secom RR

Na primeira entrevista após assumir o governo, Edilson Damião adotou um tom conciliador e focado no diálogo, mas apresentou poucas respostas objetivas sobre como pretende enfrentar os principais gargalos do estado, como saúde, infraestrutura e valorização do funcionalismo.

Durante participação em programa de rádio local o novo governador apostou em uma narrativa pessoal, ao relembrar a própria trajetória, e reforçou compromissos amplos, como “escuta ativa”, “união institucional” e “parcerias com municípios”. O discurso, no entanto, seguiu uma linha genérica, sem detalhamento de metas, prazos ou fontes de financiamento.

Discurso amplo, execução em aberto

Ao tratar da saúde, Damião citou obras já conhecidas, como a ampliação do HGR, a construção de uma maternidade e a implantação de uma policlínica. Apesar disso, não apresentou cronogramas atualizados nem explicou como pretende enfrentar problemas recorrentes, como superlotação, filas por atendimento especializado e falta de profissionais.

A promessa de “humanização” do atendimento também apareceu sem indicadores claros de implementação, um padrão que se repetiu em outras áreas.

Infraestrutura com números, mas sem clareza

Na infraestrutura, o governador mencionou mais de R$ 1 bilhão em investimentos e cerca de 300 quilômetros de asfalto. Ainda assim, não detalhou a origem dos recursos, quais obras já estão contratadas ou em andamento, nem os critérios de priorização.

Sem esses elementos, o anúncio funciona mais como projeção política do que como planejamento executável.

Servidores: reconhecimento sem compromisso

Ao abordar a revisão salarial do funcionalismo, Damião reconheceu as demandas da categoria, mas condicionou qualquer avanço ao “equilíbrio fiscal”. A fala indica cautela, mas também ausência de sinalização concreta sobre recomposição salarial, plano de carreira ou calendário de negociação, pontos historicamente sensíveis no estado.

Educação com aposta externa

Na educação, o governador anunciou a contratação de consultoria para diagnosticar e propor melhorias, com inspiração em modelos como o do Ceará. A estratégia, embora comum, levanta questionamentos sobre custos, prazos e, principalmente, sobre a capacidade de adaptação dessas experiências à realidade local.

Também não houve detalhamento sobre problemas estruturais da rede, como evasão, desempenho e infraestrutura escolar.

Segurança: continuidade sem inovação

Na segurança pública, o discurso se concentrou na continuidade de investimentos já em curso, como aquisição de viaturas e equipamentos. A proposta de maior integração entre forças e aproximação com a população foi mencionada, mas sem apresentação de novas políticas ou mudanças estruturais.

Entre o discurso e a prática

A entrevista marca um início de gestão pautado por um discurso político tradicional, centrado em diálogo, união e continuidade. No entanto, a ausência de medidas concretas, metas mensuráveis e prazos definidos evidencia um desafio imediato para o novo governo: transformar promessas amplas em ações efetivas.

Na prática, o teste da gestão de Edilson Damião começa agora, e deve ser medido menos pelo tom do discurso e mais pela capacidade de entregar resultados em áreas onde os problemas são antigos e urgentes.

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