Intitulado “Transparência é remédio urgente na crise do caso Master”, um artigo publicado pela Folha de S.Paulo acendeu novo sinal de alerta sobre a atuação do ministro Jhonatan de Jesus no caso que envolve o Banco Master e decisões tomadas no âmbito do Tribunal de Contas da União (TCU). O texto sustenta que, diante de escândalos bilionários, a regra básica para autoridades é seguir estritamente as normas e garantir máxima transparência, justamente o oposto do que estaria ocorrendo.
Segundo o jornal, Jhonatan teria adotado medidas consideradas incomuns no acompanhamento da liquidação do Banco Master, processo conduzido pelo Banco Central do Brasil. Em janeiro, o ministro determinou uma inspeção no BC para apurar eventuais falhas de supervisão no caso. A iniciativa foi interpretada, nos bastidores, como um movimento que poderia fragilizar a autoridade monetária e até abrir margem para questionamentos sobre a própria liquidação da instituição financeira.
O episódio ganhou novos contornos em fevereiro, quando o ministro colocou sob sigilo o relatório técnico produzido pelo TCU após a inspeção no Banco Central. De acordo com a reportagem, a classificação de confidencialidade foi ampla a ponto de restringir o acesso não apenas ao público, mas também a integrantes do próprio tribunal e ao BC.
Fontes ouvidas pela Folha apontam que o relatório não teria feito ressalvas ao processo de liquidação do banco. Ainda assim, a decisão de manter o documento sob sigilo foi vista como medida extrema e atípica, alimentando desconfianças em um caso já cercado de controvérsias.
O escândalo envolvendo o Banco Master acumula episódios considerados fora do padrão, como a injeção de recursos do Banco de Brasília (BRB), controlado pelo Distrito Federal, além de menções ao empresário Daniel Vorcaro e ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em desdobramentos paralelos revelados pela imprensa.
Em nota, Jhonatan de Jesus afirmou que o sigilo busca evitar vazamentos, inclusive de informações classificadas pelo próprio Banco Central, e garantiu que o BC terá acesso às peças processuais sempre que necessário, sem prejuízo institucional. Afirmou ainda que o procedimento não seria inédito no TCU.
Para a Folha, no entanto, o contexto exige justamente o contrário: abertura máxima de dados e decisões fundamentadas de forma transparente. O jornal argumenta que medidas fora da curva, em meio a um escândalo dessa dimensão, inevitavelmente levantam questionamentos legítimos.
O episódio amplia o desgaste institucional tanto no TCU quanto no STF, já pressionados por sucessivas controvérsias. O desfecho do caso poderá definir não apenas o futuro do Banco Master, mas também o grau de confiança pública nos órgãos de controle e no sistema de Justiça.
No centro da crise, a pergunta permanece: prevalecerá o interesse público ou os ruídos de bastidores continuarão a lançar sombras sobre decisões que deveriam ser técnicas e transparentes?








