O fluxo de migrantes e refugiados venezuelanos pela fronteira de Pacaraima caiu mais de 50% nos primeiros 13 dias de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025. Segundo dados apresentados nesta quarta-feira ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, 1.014 pessoas cruzaram a fronteira este ano, ante 2.121 no ano anterior. Em 2024, o número havia sido de 2.161.
A redução ocorre em meio à tensão entre Estados Unidos e Venezuela desde o fim do ano passado, que envolveu deslocamento de frotas norte-americanas pelo Caribe e culminou com o bombardeio à capital Caracas em 3 de janeiro. Apesar do cenário, o monitoramento da Operação Acolhida aponta normalidade nos fluxos.
O ministro Wellington Dias afirmou que o governo acompanha “desde o início dos momentos de tensão dos Estados Unidos com a Venezuela” e avaliou que “o cenário é de normalidade, tanto no fluxo migratório da Venezuela para o Brasil, como do Brasil para a Venezuela”.
O coordenador de operações da estratégia, general Santos, também classificou o momento como estável. Ele destacou que o volume está inferior ao registrado em 2025 no mesmo período. “Nós monitoramos diariamente o fluxo migratório. Na terça-feira, por exemplo, entraram 203 migrantes, abaixo do que vinha ocorrendo em novembro”, disse.
Com a escalada militar na região, a Operação Acolhida estruturou um plano de contingência, mas não houve acionamento. “Total tranquilidade, sem nenhuma necessidade de acionar nosso plano”, afirmou o general. Segundo ele, há capacidade instalada e protocolos para resposta rápida caso seja necessário. “A Operação Acolhida chegou a ter 12 mil abrigados e hoje são 5 mil abrigados em Pacaraima e Boa Vista.”
Ocupação dos abrigos
No momento, os abrigos da capital têm cerca de 30% de vagas disponíveis entre os espaços destinados a indígenas. Entre os abrigos para não indígenas, a taxa chega a 38% em Boa Vista e 65% em Pacaraima.
O ministro afirmou que “o plano estratégico, feito a partir da experiência da Operação Acolhida, em qualquer situação pode ser ativado rapidamente”. A estrutura cobre áreas como saúde, documentação, vacinação, proteção social e abrigamento, com integração de ministérios, estado e municípios.
Estoque migratório
Dados da Polícia Federal apresentados ao ministro indicam que entre 2018 e dezembro de 2025 cerca de 1,4 milhão de venezuelanos migraram para o Brasil. Desse total, mais de 654 mil deixaram o território brasileiro e outros 743 mil permaneceram.
Ao acompanhar o funcionamento dos abrigos e parceiros da estratégia, Wellington Dias ressaltou a importância da proteção de pessoas migrantes e refugiadas. Ele afirmou que a orientação diplomática brasileira é de defesa de soluções pacíficas e de normalidade institucional. “Nós sempre pregamos uma política diplomática de paz, de boas relações com todos os países, e é claro, de modo especial com os nossos vizinhos”, declarou.
Operação Acolhida
Estruturada pelo Governo Federal com apoio de agências internacionais e entidades da sociedade civil, a estratégia atua em três eixos:
- Ordenamento da fronteira com triagem, documentação, vacinação, assistência básica e segurança
- Abrigamento temporário para grupos vulneráveis com alimentação, itens essenciais, proteção e atendimento social
- Interiorização e integração socioeconômica, reduzindo a pressão sobre Roraima mediante realocação voluntária a outros municípios








