Ministro do TCU, Jhonanatan de Jesus, e seu suplente na Câmara: deputado Gabriel Mota (Republicanos-RR). Foto: Divulgação

O deputado federal Gabriel Mota (Republicanos-RR) validou por vários meses a frequência de uma servidora lotada em seu gabinete na Câmara dos Deputados que, segundo apuração jornalística, não exercia trabalho presencial e era considerada funcionária fantasma por colegas. As informações são do portal Metrópoles.

A servidora é Thallys Mendes dos Santos de Jesus, esposa do ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), relator do chamado caso Master, processo de grande repercussão envolvendo o banco Master.

Gabriel Mota é suplente de Jhonatan de Jesus e assumiu o mandato de deputado federal quando o titular deixou a Câmara, no início de 2023, para tomar posse como ministro do TCU.

Segundo documentos obtidos pela coluna do portal Metrópoles, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), todas as frequências mensais de Thallys foram atestadas por Gabriel Mota, sem qualquer registro de faltas, licenças ou atrasos durante o período em que ela esteve nomeada no gabinete.

A nomeação ocorreu logo após a saída de Jhonatan de Jesus da Câmara. De acordo com a reportagem, o então deputado orientou que seu suplente contratasse a esposa para o cargo de secretária parlamentar, com salário mensal de R$ 12.139,40.

Funcionária não era vista no gabinete

Servidores que atuavam no gabinete afirmaram que nunca viram Thallys trabalhando presencialmente em Brasília. A apuração também aponta que, entre março e agosto de 2023, período em que esteve oficialmente nomeada, ela cursava faculdade de medicina em horário diurno, o que dificultaria o cumprimento da jornada exigida.

Thallys deixou o cargo após o caso ser revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo. Mesmo assim, chegou a possuir crachá funcional com validade até janeiro de 2027.

Controle de frequência

Na Câmara dos Deputados, secretários parlamentares não registram ponto nem utilizam controle biométrico. A norma interna estabelece jornada de 40 horas semanais, mas a presença é atestada mensalmente pelo próprio parlamentar ou por servidor designado. No caso, o responsável pelo atesto foi Gabriel Mota.

Até a última atualização desta reportagem, a Câmara dos Deputados não havia aberto sindicância ou processo administrativo para apurar o caso.

A revelação ocorre em meio a críticas à atuação de Jhonatan de Jesus no TCU, especialmente relacionadas ao caso Master e a decisões que provocaram repercussão política e institucional.

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