A sessão da Câmara Municipal de Boa Vista foi marcada por troca de farpas e clima tenso nesta quarta-feira (25) após debate sobre produtividade legislativa. O vereador Bruno Perez (MDB) deu a entender que o colega Professor Thiago Reis (PSD) estaria inflando o número de indicações parlamentares apresentadas para liderar o ranking de produção na Casa.
Indicações parlamentares são proposições apresentadas por vereadores para sugerir ao Poder Executivo municipal a adoção de determinada providência, como obras, serviços, melhorias urbanas ou implementação de políticas públicas. Diferentemente dos projetos de lei, elas não têm força normativa nem obrigam a prefeitura a executar a medida, funcionando como um instrumento formal de encaminhamento de demandas da população ao prefeito e às secretarias responsáveis.
Segundo dados apresentados durante a sessão, Thiago Reis protocolou 5.888 indicações ao longo de 2025, número que o coloca como o parlamentar com maior volume de indicações. Para Bruno Perez, no entanto, a quantidade não necessariamente reflete efetividade.
“Fazer indicação em lugar que já tem obra sendo feita é fácil. É o mesmo que fazer indicação para a prefeitura pagar os salários dos funcionários todo mês… é óbvio que vai ser pago”, disparou Bruno, ao criticar o que classificou como uso político das estatísticas.
Professor Thiago Reis ainda tentou rebater pontos da fala do líder da bancada do prefeito, mas o clima se agravou. Em meio à discussão, houve elevação de tom e interrupções. Visivelmente irritado, Bruno Perez deixou o plenário antes do encerramento do debate.
Outros vereadores pediram a palavra para tentar conter os ânimos e defenderam que o plenário não deveria se transformar em espaço de disputa por números. Parlamentares ressaltaram que a produtividade deve ser medida não apenas pela quantidade de indicações, mas pelo impacto real das ações na vida da população.
O vereador Professor Thiago Reis sustentou que sua atuação é pautada por demandas reais recebidas, principalmente, da comunidade.
O episódio expõe divergências internas sobre critérios de produtividade dentro do Legislativo municipal.








